Cotidiano

Sem médicos, pacientes aguardam no chão por atendimento na UPA Leblon

Dezenas de pessoas foram vencidas pelo cansaço e desistiram de esperar atendimento na UPA (unidade de Pronto Atendimento) Leblon durante manhã e início da tarde desta sexta-feira (12), em Campo Grande. A semana começou tumultuada na Unidade de Saúde onde diversos pacientes relatam ao Jornal Midiamax que não havia médicos na UPA. No início da […]

Bruna Vasconcelos Publicado em 12/11/2018, às 16h24 - Atualizado em 13/11/2018, às 08h27

Foto: MInamar Junior
Foto: MInamar Junior - Foto: MInamar Junior

Dezenas de pessoas foram vencidas pelo cansaço e desistiram de esperar atendimento na UPA (unidade de Pronto Atendimento) Leblon durante manhã e início da tarde desta sexta-feira (12), em Campo Grande.

A semana começou tumultuada na Unidade de Saúde onde diversos pacientes relatam ao Jornal Midiamax que não havia médicos na UPA. No início da tarde, após inúmeras denúncias de leitores, a reportagem foi até o local e constatou a ausência de profissionais.

Abarrotados nas cadeiras e sentados no chão, os doentes eram informados que “não tinha o que fazer, apenas esperar.” Aproximadamente 5 minutos depois dos jornalistas chegarem na UPA, por volta das 14h40, uma médica retomou as consultas.

Revoltado com a situação da mãe de 76 anos, Samuel foi um dos porta-voz no corredor de espera. “Estamos aqui desde a manhã. Minha mãe é idosa, tem 2 cirurgias no coração e está com água no pulmão,” relatou o homem com o prontuário de encaminhamento de emergência nas mãos.

Sem médicos, pacientes aguardam no chão por atendimento na UPA Leblon

Micaela Cruz, sentada em uma das cadeiras, exibia um enorme roxo em uma das coxas. A jovem, de 26 anos, sofreu um acidente de moto e aguardava, com dores, atendimento médico. Na recepção, segundo a paciente, a informação era que “o médico estava chegando”. Por causa dos ferimentos, ela não conseguiu ir trabalhar nesta segunda-feira.

No chão

Um dos homens que aguardava há horas ser chamado disse que nunca viu tanta desumanização. O paciente, que não quis se identificar, disse que no período da manhã presenciou pessoas deitadas no chão com dores e crianças com “a cabeça rachada”.

Sem médicos, pacientes aguardam no chão por atendimento na UPA Leblon

Todas, de acordo com relatos, teriam ido embora devido à falta dos médicos. Nesta manhã, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) também não disponibilizou a escala em seu site, deixando os pacientes ainda mais perdidos para conferir onde há médicos atendendo.

A Sesau confirmou a falta de médicos e alegou que os profissionais faltaram sem avisar. A secretaria enviou outros profissionais à UPA Leblon para não deixar a população sem atendimento.

Falta de bancos

Outra surpresa foi a falta de bancos no lado de fora da UPA. Com a superlotação, as cadeiras dos salões ficam lotados e pacientes precisam aguardar em pé ou sentados no chão. Algumas pessoas, fracas pela enfermidade, se submetem a descansar em qualquer canto da Unidade.

Por meio de assessoria de imprensa, a Secretaria informou que os bancos foram remanejados para o lado de dentro da Unidade. “Deixamos somente aonde podemos ver e se precisar dar assistência estará na nossa vista. Os que existiam na parte externa foram remanejados para a parte interna para dar mais comodidade aos pacientes porque a recepção é climatizada e para evitar, inclusive, que houvessem problemas de chamada dos pacientes.”

Sem médicos, pacientes aguardam no chão por atendimento na UPA Leblon
Foto: Minamar Junior
Jornal Midiamax