Cotidiano

Minerworld inaugura fazenda de mineração e promete visitas guiadas

Minertech fica em Hernandarias, no Paraguai

Guilherme Cavalcante Publicado em 22/01/2018, às 15h03

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Minertech fica em Hernandarias, no Paraguai

A empresa Minerworld, que afirma atuar com mineração de bitcoins, deve inaugurar neste domingo (28) uma fazenda de mineração em Hernandarias, no Paraguai, a cerca de 670km de Campo Grande. A inauguração da estrutura, chamada Minertech, é aposta da organização para refutar as acusações de que é uma pirâmide financeira. A empresa é investigada pela Polícia Federal e teve parecer negativo expedido pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) após constatação de indícios de crime contra a economia popular em suas atividades.

Minerworld inaugura fazenda de mineração e promete visitas guiadas

Apesar da inauguração ser voltada apenas para VIPs, a empresa também destacou que, posteriormente, serão realizadas visitas guiadas para demais interessados, com cronograma a ser divulgado, inclusive à imprensa. Vídeos e fotos da fazenda de mineração também serão enviados aos meios de comunicação após a inauguração, segundo o comunicado. A empresa não destacou o custo das viagens de reconhecimento da Minertech.

Imagem não confirmada pela empresa circula nas redes sociais (Reprodução)

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Atrasos de pagamentos

Sede da empresa em Campo Grande (Arquivo)

Acusada de funcionar em esquema de pirâmide financeira, a Minerworld tem sido alvo de reclamações de seus associados, que relatam atrasos em repasses de rendimentos deste outubro de 2017. Dois planos de pagamento de passivos chegaram a ser anunciados pela empresa. Todavia, as reclamações dos atrasos nos pagamentos continuam. Ao Jornal Midiamax, a empresa destacou que um novo cronograma será anunciado ainda em janeiro.

A última estratégia da empresa para efetuar os pagamentos atrasados foi o lançamento de uma nova plataforma de operações, a Miner.360, que auditaria as contas a dever e que pede recadastramento dos usuários. Todavia, os pagamentos atrasados seriam compensados apenas em Mcash, a criptomoeda criada em 2017 pela empresa, o que gerou revolta e desconfiança dos associados. É que diferentemente do bitcoin, o Mcash não tem valor de mercado significativo.

Além disso, a prática do recadastramento está sendo apontada por associados como ‘restart’, ou seja, uma estratégia para se impor sobrevida à empresa que seria bastante comum em esquemas de pirâmide financeira.

Sobre o bitcoin

(Reprodução/Bitcoin)O bitcoin é uma espécie de moeda virtual (criptomoeda) que não está sob domínio do Banco Central de qualquer país, ou seja, não está relacionado a qualquer governo. Assim, as transações digitais são feitas sem a intermediação de um banco, num sistema bastante complexo que é validado por computadores do mundo inteiro – as estações de mineração.

Existem duas formas, basicamente, de se obter bitcoins: a primeira é pelo aplicativo oficial ou pelo site do serviço, trocando dinheiro real por bitcoins, algo semelhante a um sistema de câmbio. A segunda, é por meio da mineração, ou seja, a disponibilização de computadores para validarem o sistema que faz o bitcoin funcionar. Assim, os ‘mineradores’ recebem pelo serviço recompensa em bitcoins, que são lançados no mercado.

Todavia, por não ser rastreável e nem controlada por nenhum governo, o bitcoin tem protagonizado uma série de polêmicas. Muitos especialistas apontam que a criptomoeda pode favorecer a sonegação de impostos, já que não obrigatoriamente os valores em bitcoins são convertidos em dinheiro estatal, o que inicialmente dificulta a fiscalização das Receitas Federais do mundo inteiro.

Outro fator é que o bitcoin tem sido apontado como a moeda que financia, por exemplo, ataques terroristas e crimes como sequestros. Por fim, os esquemas de mineração de bitcoin também podem, segundo especialistas, serem utilizados para esquemas de pirâmides financeiras.

Vale destacar que as operações de mineração requerem computadores complexos e têm alto gasto de energia. Por esta razão, as fazendas de mineração de empresas do segmento, como a Minerworld, procuram países como o Paraguai, onde a energia é ‘mais barata’, para efetuar as operações.

Jornal Midiamax