Cotidiano

Número de moradores de rua aumenta e divide opiniões de comerciantes

Comerciantes observam o crescimento desde o ano passado

Maisse Cunha Publicado em 15/12/2017, às 20h04

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Comerciantes observam o crescimento desde o ano passado

Comerciantes da região central de Campo Grande viram aumentar o número de pessoas em situação de rua durante o ano de 2017. Enquanto alguns empresários se mostram incomodados com os pedintes, outros falam em preconceito da sociedade e dizem conviver bem com os moradores de rua. 

A artesã Clarisse Francisca dos Santos, 61 anos, afirmou que nunca teve nenhum tipo de problema com os moradores.“A gente trabalhou ali na frente da Igreja Santo Antônio durante muito tempo e nunca teve problema nenhum. Pelo contrário, eles até ajudavam a gente a carregar os produtos e desmontar as barracas. Nunca incomodaram, não fazem nada com a gente”.

Ela conta que o que mais se percebe é o preconceito que a própria sociedade tem para com os moradores de rua. “As pessoas passam perto deles e não veem um ser humano como qualquer outro. Passam por eles e escondem os pertences, já acham que vão roubar, mas não. Eles só precisam é de alguém para ajudar eles a saírem dessa situação. Ninguém deve gostar de morar nas ruas”

Um morador, que não quis ter o nome identificado, é natural de Guia Lopes, distante a 232 km da capital, e conta vive nas ruas há 4 anos. Ele perdeu o contato com os familiares, após um desentendimento e, desde então, vaga de uma cidade para outra, em busca de oportunidades.

“Hoje de manhã eu fui em um mercado para comprar um leite para eu tomar e o funcionário me seguiu, do momento em que eu entrei, até a hora que eu saí, como se eu fosse roubar alguma coisa”.

Por outro lado, a vendedora Rosangela Neves, 42, relatou à reportagem que um morador havia acabado de entrar no comércio onde ela trabalha com as genitálias a mostra. Ele exigiu dinheiro para que fosse embora do estabelecimento.

Apesar deste episódio, ela reconhece que os moradores de rua vivem à margem da sociedade. “Eles foram largados aí e não tem ninguém que olhe por eles. Quando eles aparecem aqui e dizem estar com fome, a gente vai na cozinha lá em cima e prepara alguma coisa para eles comerem”. Para a profissional, “o problema são os que também são usuários de drogas. Eles são agressivos com a gente. É muito claro quem é usuário e quem só precisa de algo para comer e de uma oportunidade”.

O gerente de uma rede de fast-foods, Juliano Coelho, 24, relata que diariamente testemunha o mau comportamento dos moradores de rua. Pegam os lanches e saem correndo, tomam banho aqui nos banheiros, fazem muita sujeira,

“Tudo que a gente pode fazer é pedir para saírem quando isso acontece. Quando acontece alguma coisa mais grave é que a gente liga para a polícia. A gente até já conhece pelo nome, tem uns que já estão nas redondezas há 7 anos. Comida a gente nunca negou e muitos nem aceitam. Na maioria das vezes, o que eles querem é dinheiro para trocar por drogas”. 

O empresário Adelaido Vila, ex-presidente do Conselho de Segurança do Centro, conta que um dos fatores agravantes para o aumento do número de pessoas sem-teto foi a crise econômica. Ele observa que muitos dos que vivem nas ruas vieram de outros municípios. “Eles chegam aqui e não encontram oportunidades e acabam por fazer de tudo para juntar umas moedas e sobreviver.

Número de moradores de rua aumenta e divide opiniões de comerciantes

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, através da sua assessoria de imprensa, para detalhes sobre o trabalho para abrigar moradoes de rua, mas até o fechamento dessa reportagem não obteve retorno.

Serviço

O Cetremi (Centro de Triagem e Encaminhamento do Imigrante), oferece serviços de acolhimento, higienização, alimentação, orientações preventivas e encaminhamento à saúde, documentação, bem como passagens à cidade de origem.

Centro Pop (Centro de Referência Especializado à População em Situação de Rua) oferta atendimentos individuais, atividades de convívio e socialização, acesso a espaços de guarda de pertences, de higiene pessoal, de alimentação e provisão de documentação.

O Cetremi fica localizado fica localizado na rua Jornalista Marcos Fernando Rodrigues, Jardim Veraneio. O Centro Pop fica localizado na rua Maracaju, 790, centro.

Jornal Midiamax