Cotidiano

Colegas de profissão e amigos lamentam morte do advogado Ricardo Trad

O advogado era um dos principais nomes do Tribunal do Juri

Midiamax Publicado em 01/02/2017, às 12h40

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O advogado era um dos principais nomes do Tribunal do Juri

Para autoridades e colegas de profissão, a morte do advogado Ricardo Trad, aos 74 anos, representa a perda de um dos principais nomes do Tribunal do Juri de Mato Grosso do Sul. O criminalista morreu ontem, dia 31, vítima de um aneurisma na aorta abdominal, após ficar oito dias internado em um hospital de Campo Grande. O velório ocorre neste momento no Tribunal do Júri do Fórum de Campo Grande, e o sepultamento será às 14 horas, no cemitério Parque das Primaveras.

O advogado Renê Siufi considerou a morte do amigo uma perda lamentável e destacou a carreira de 42 anos à frente do Tribunal do Juri . “O Tribunal do Júri perdeu uma voz importante. Era um advogado preparado e vai servir de exemplo para muitos novos advogados. Fizemos muitos juris juntos, na mesma tribuna. Ele era meu amigo, como se fosse meu irmão. Era uma pessoa do tribunal de juri imbativel”, declarou.

Para o colega e advogado Josephino Ujacow, a morte de Ricardo, a quem considerava ‘um grande amigo’, deixará ‘profunda saudade’, não só no meu coração como no coração da família e de quem conviveu com ele. Emocionado, citou o julgamento que participou com Trad no qual defenderam Rui Santana, 'acusado injustamente' de ter mandado assassinar Levy Campanhã, assessor do governador Garcia Neto em 1982.

“Eletrizava com sua palavra fácil, com sua oratória. Ao falar ao Conselho de Sentença ele impressionava, seduzindo os jurados, não só com a verdade, mas com empolgante eloquência”, disse Ujacow sobre o amigo.

Carlos Magno Couto, advogado sul-mato-grossense, também seu pesar sobre a morte do colega de profissão e contou que o criminalista foi um dos principais exemplos em sua carreira:

“Tinha o doutor Ricardo Trad como uma inspiração para a minha vida profissional. Ele era minha faculdade no tribunal. Eu penso que ele era um advogado inaugural no Estado, em termos de Direito Penal, porque empermeava em sua defesa a poesia com os dogmas jurídicos. A gente dá adeus a uma beca de um criminalista que realmente marcou um tempo, fez escola no Tribunal do Júri. Sinto muito a morte dele e penso que ele deixa vários discípulos, eu me sinto um discípulo do Ricardo Trad”.

Casado com Tânia Assis Trad, tiveram cinco filhos: Ricardo Trad Filho, José Belga Assis Trad, Assaf Trad Neto, Giovanna Trad Albuquerque e Isabella Trad. Filho do ex-cônsul do Líbano no Estado, Assaf Trad, que batiza uma Avenida em Campo Grande, ele era irmão do falecido deputado federal Nelson Trad, e tio do atual prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD).

O atuante advogado criminalista, Ricardo Trad, tinha 74 anos. Formou-se em Direito pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em 1968. Ao longo da carreira se tornou referência do Direito Criminal em Mato Grosso do Sul.

O advogado Ricardo Trad, entre muitas, fez história com casos singulares, como o processo com prova psicografada pelo médium Chico Xavier, que teve um veredito que inocentou o bancário João Francisco Marcondes de Deus pelo assassinato de sua esposa e ex-miss Campo Grande, Gleide Dutra de Deus, atingida por um tiro no pescoço, em 1980. O processo continua sendo fonte de estudos por todo o país.

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