Cotidiano

Servidor da Funai é ouvido em CPI do Cimi na Assembleia

Três pessoas foram ouvidas

Diego Alves Publicado em 06/04/2016, às 23h08

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Três pessoas foram ouvidas

O grupo de trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) reuniu-se nesta quarta-feira (6/4), no Plenário da Casa de Leis para ouvir os depoimentos do servidor público federal Jorge Antônio das Neves, o coordenador do Dsei, Hilário da Silva e as indígenas Enir Terena e Valdelice Veron.

O servidor público federal, Jorge Antônio das Neves, reside em Campo Grande e é funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai), desde 1982 e já trabalhou em Goiás e em Brasília. Em seu depoimento declarou conhecer alguns integrantes do Cimi desde 1982 e não ter conhecimento das ações do Cimi.

“Não tenho conhecimento que o Cimi incita os indígenas. Não posso afirmar coisa que eu não vi. Neste tempo que estou em Mato Grosso do Sul desconheço qualquer manipulação do Cimi aos indígenas”, afirmou Jorge. Destacou ainda que quem define quais áreas são de pertencimento dos indígenas são os anciãos das aldeias e que não participou do cumprimento de reintegração de posse da Fazenda Buriti. Quando questionado o que a Funai faz diante da situação quanto há disputa pela terra, admitiu que a instituição não faz interferência. “Não interferimos, senão a Funai apanha. Somos apenas servidores.Os índios batem nos servidores”, admitiu o depoente. Para a presidente da Comissão, deputada Mara Caseiro (PSDB) o depoimento de Jorge Antônio das Neves não agregou aos trabalhos da Comissão. “O depoimento de hoje não teve muito a acrescentar, não trouxe esclarecimentos para a CPI, e me surpreende a forma despreparada da Funai, porque fica a questão de que o servidor que deveria colaborar para  a melhoria da qualidade de vida dos indígenas, que também tem a função de zelar pela paz desconhece as ações que o Cimi executa dentro das aldeias.

Já a indígena Valdelice Veron compareceu na oitiva, mas declarou sua vontade e direito de depor na sua língua materna. A Comissão acatou seu pedido e o novo depoimento ficou marcado para o dia 20 de abril, ocasião que o grupo de trabalho irá providenciar intérprete.

O coordenador do Dsei, Hilário da Silva e a indígena Enir Terena que também estavam previstos para depor não compareceram, mas justificaram a ausência. A Comissão é composta ainda pelo vice-presidente, deputado Marquinhos Trad (PSD) e o relator, Paulo Corrêa (PR). Também são membros da comissão os deputados Onevan de Matos (PSDB) e Pedro Kemp (PT).

CPI – O objetivo da Comissão é investigar o Cimi, quanto a denúncias de incitação de conflitos por terras em Mato Grosso do Sul entre indígenas e proprietários rurais. A próxima reunião está agendada para o dia 13/4, a partir das 14h, no Plenarinho Deputado Nelito Câmara. 

Jornal Midiamax