Cotidiano

Santa Casa corta hora extra e funcionários temem não receber por trabalho

Valores referentes à julho não foram depositados

Midiamax Publicado em 29/08/2016, às 14h36

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Valores referentes à julho não foram depositados

Depois de análise feita por uma consultoria especializada, a administração da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande proibiu que os funcionários ultrapassem a jornada diária estabelecida em suas atividades. Enfermeiros e técnicos de enfermagem do hospital afirmam que ainda não receberam as horas extras realizadas em julho de 2016 e que com a nova medida, temem não receber pelo trabalho. 

Questionada sobre o fato, a assessoria de comunicação do hospital explica que conforme análise feita pela equipe de consultoria, a Santa Casa, que tem cerca de três mil funcionários é capaz de atender a demanda de pacientes sem necessidade de que os trabalhadores realizem hora extra.

"Nossa consultoria constatou que o hospital tem funcionários suficientes. Estamos fazendo algumas adequações e a administração cortou a hora extra", justifica. A medida preocupa os trabalhadores que ainda não receberam as horas extras referentes à julho. 

A mudança foi anunciada há cerca de uma semana, no entanto, as horas extras de julho ainda não foram depositadas. A técnica de enfermagem da Santa Casa, que preferiu não se identificar, diz que ainda não recebeu e que foi informada de que o pagamento será em forma de banco de horas. 

"As nossas horas extras vinham com o nosso pagamento e desde o começo do ano começaram a pagar por volta do dia 20, porém, as horas extras de julho ainda não foram depositadas. Não passaram nenhum previsão. Estão comentando que receberemos em banco de horas. Estou cheia de contas para pagar e conto com o dinheiro das horas extras. Deixei de ficar em casa com a minha filha para trabalhar e não vou receber", diz a técnica de enfermagem que preferiu não se identificar. 

O presidente do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), Lázaro Santana afirma que a promessa é de que o dinheiro seja depositado até esta terça-feira (30). "Tivemos uma reunião com a direção do hospital e fomos informados de que houve um atraso no repasse feito pela Prefeitura e de que as horas extras serão depositadas até amanhã", declara.

A assessoria de comunicação do hospital, por sua vez, diz que a Prefeitura tem até o último dia útil para realizar o repasse de ressalta que o pagamento será realizado depois que o recurso for repassado ao hospital. "A Prefeitura tem até o último dia útil para fazer o repasse, nesse caso, até quarta-feira. Tem de aguardar o dinheiro vir do gestor, sem ele o hospital não tem recursos suficientes para fazer o pagamento", justifica a assessoria de comunicação da Santa Casa.

Não houve resposta da assessoria de comunicação da Prefeitura a respeito do repasse da Santa Casa.

Banco de horas x horas extras – 

Quanto a informação de que as horas extras serão pagas em forma de banco de horas, o presidente do sindicato explica que durante negociações salariais, o sindicato e a administração discutiram sobre as horas excedentes e na ocasião foram sugeridas mudanças em relação às horas extras. 

"O hospital pagava as horas excedentes de até cinco anos, porém, muitos funcionários reclamavam que perdiam com isso, então pedimos para mudar e pagarem as horas excedentes até abril de cada ano. Nisso, a administração pediu para que as horas extras também fossem pagas em forma de banco de horas, mas isso só vai acontecer quando encerrarmos a negociação.

O presidente do Siems observa que se houver necessidade de hora extra, o hospital deve comunicar com antecedência se as horas trabalhadas além da jornada estabelecida serão pagas em dinheiro ou banco de horas e que cada funcionário terá a opção de aceitar ou não o trabalho.

Quanto às horas extras realizadas até o fechamento das negociações, que serão retomadas nas primeiras semanas de setembro,  Santana afirma que os trabalhadores receberão as horas extras trabalhadas em dinheiro.

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