Cotidiano

Programa “Mãos que constroem” traz economia de 75% ao estado

O trabalho é feito por presidiário

Midiamax Publicado em 15/09/2016, às 14h52

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Fotos: Mariana Anjos/Midiamax

O trabalho é feito por presidiário

“Com esse trabalho, além de conseguir reduzir meu tempo dentro da prisão, é possível mostrar que não somos como as pessoas pensam, ou seja, perigosos”. Este é o relato de Nezimatos Silva de 44 anos. Ele é um dos 10 presidiários que vai participar do programa “Mãos que constroem”, na qual irão participar da reforma de uma das delegacia do Estado.

Em agenda pública nesta manhã, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) fez o lançamento do programa e assinou a ordem de serviço para a reforma da delegacia do 4º DP, que fica nas Moreninhas. Esta é a primeira a ser reformada por presos do regime aberto e semiaberto, por meio do “Mãos que constroem”.

Neste, são 10 presos que farão a reforma, incluindo áreas de elétrica, hidráulica, pintura e fachada. Silva, que afirmou que irá atuar na parte de pintura, disse que o preconceito é constante. “As pessoas olham para gente como desprezo, com certeza. Este trabalho, além de diminuir a nossa pena, nos incentiva a retomar nossa vida após sairmos da prisão em definitivo”.

Segundo a delegada titular da Delegacia de Polícia do 4º DP, Marilda do Carmo Rodrigues, esta reforma trará muitos benefícios e conforto aos policiais que atuam no local. Segundo ela, atualmente, a delegacia tem duas celas inativas por falta de estrutura e atualmente quatro estão em funcionamento, na qual abriga hoje 43 presos por problema de pensão alimentícia.

“Esse programa é inovador e louvável. Sem duvida irão trazer muito conforto a todos que ali atuam e também como o atendimento a população. Com esta reforma, poderemos ter seis celas funcionando e a iniciativa de colocar presos neste trabalho é muito válido por dar mais condições de eles voltarem ao convívio da sociedade”, disse a delegada.

Azambuja enfatizou a questão da econômica para o Estado, em meio a situação de crise financeira e o incentivo a ressocialização. “Temos que destacar não só a economia que iremos ter, que claro é de muita importância devido a situação em que vivemos, mas o objetivo maior é de incentivar e ajudar estes envolvidos, que estão presos. Isso também tem todo um reflexo para diminuir o inchaço do sistema prisional”.

Custos

O projeto “Mãos que constroem” poderá levar estas reformas a outras unidades da secretaria de segurança no Estado. No formato tradicional, através de licitação, cada obra custaria, em média, R$ 500 mil e nesta para a reforma da 4ª Delegacia da Polícia Civil é de R$ 123,4 mil.

Deste, R$ 35 mil se referem ao pagamento da mão de obra carcerária e o restante para cobrir despesas administrativas, material de construção, ferramentas e equipamentos de segurança. Segundo o preso citado acima, eles recebem um salário mínimo pelo trabalho.

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