Cotidiano

Prefeitura transfere mais um grupo da Cidade de Deus para quarta área

Não há previsão de novos locais

Midiamax Publicado em 01/04/2016, às 19h33

None
61c09c63-56cc-45bc-b015-b2343941c7d9.jpg

Não há previsão de novos locais

A quarta e última área prevista para realocação de famílias que moravam na favela Cidade de Deus, em Campo Grande, começou a ser ocupada na tarde desta sexta-feira (1º), na rua Catiguá, Bairro Canguru. De 40 famílias, que devem receber seus lotes,  22 já constroem habitações improvisadas. Das famílias contempladas, 18 só serão transferidas na segunda-feira (4).

Os ex-moradores da Cidade de Deus chegaram ao local por volta das 11h30min e até às 15h20, horário da chegada das lonas e pregos, permaneceram no sol, com os filhos e a mudança. Sem água até para beber, as famílias estão sem previsão de ligação de luz, e água para o banho e cozinha. Os padrões de energia ainda estão no chão.

Como nas outras transferências, funcionários da Prefeitura ajudaram na mudança dos moradores. O problema é que mesmo depois da chegada do material para os barracos, a quantidade de pregos não é suficiente.

A dona de casa, Ana Carolina Souza, de 20 anos, foi transferida ao loteamento junto com o marido Fábio Feitosa, de 27 anos, que é coletor e mais dois meninos, de 6 e 5 anos. A jovem relatou a reportagem que a espera sob o sol e sem água para beber foi bem difícil.

Depois de passar, dois anos na favela elogiou seu novo lugar e ressaltou que agora conseguirá construir um lar de verdade.

O sistema de construção dos barracos deve seguir como as dos Bairros Vespasiano Martins, Vila Nasser e Teruel, ou seja, no fundo do lote deixando espaço para a futura casa de alvenaria.

Uma equipe da SAS (Secretaria de Assistência Social), que realiza o cadastro das famílias, disponibilizou água para os transferidos beberem. O reciclador Edilson Barbosa, de 32 anos, foi transferido para o loteamento com a esposa e quatro crianças, de 6 meses, um ano e oito meses, 5 e 6 anos.

Para Edilson, o lote não será um recomeço, mas sim um verdadeiro começo. “A gente só recomeça quando tinha algo bom e resolver recomeçar em outro lugar. O que vivi na Cidade de Deus só quero esquecer”, disse.

Além da falta de luz e água, os transferidos reclamam da falta de pregos e local para as crianças tomarem banho.

Na segunda-feira outras 18 famílias devem chegar ao Canguru. No Bom Retiro, na Vila Nasser os 118 terrenos já foram ocupados, já no Vespasiano Martins dos 50 terrenos, ainda faltam 10 ocupações e no Teruel 48 terrenos estão ocupados, restando 40 lotes vazios.

Não há previsão de novos locais e o restante das famílias da Cidade de Deus devem ser encaminhadas aos locais que ainda tem vagas.

Jornal Midiamax