Cotidiano

Para reformar delegacias, presos receberão capacitação com certificado

4ª delegacia é a primeira instituição reformada pelo projeto

Midiamax Publicado em 24/10/2016, às 21h34

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4ª delegacia é a primeira instituição reformada pelo projeto

Presos que reformam a 4ª Delegacia de Polícia, localizada no bairro Moreninha II, por meio do projeto “Mãos que Constroem”, receberão capacitação do Senai. Os participantes do projeto receberam na semana passada a vistoria do juiz da 2ª Vara de Execução Penal, Albino Coimbra Neto, e do secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, José Carlos Barbosa, que acompanharam de perto o trabalho executado.

Esta é a primeira instituição reformada pelo projeto, uma parceria do Poder Judiciário com o Executivo Estadual e o Conselho da Comunidade que conta com a mão de obra carcerária de presos do regime semiaberto do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira. A obra teve início no dia 5 de outubro. Ao todo uma equipe de 10 reeducandos cumpre jornada diária e tem o prazo de até quatro meses para concluir a reforma.

O magistrado reuniu os detentos para informar a eles que nas próximas semanas o Senai irá iniciar um curso de capacitação, de modo que todos tenham formação na área, inclusive com certificado, o que os ajudará, além da remissão de pena e o salário pela obra, a terem qualificação para ingressarem no mercado de trabalho, pós cumprimento da pena.

O “Mãos que Constroem”, frisou o juiz, “é uma oportunidade para que vocês sirvam de exemplo até mesmo para os demais presos e para sociedade, além da própria polícia que passa a ver que, embora vocês tenham cometido erros, são capazes de recomeçar”.

Já o secretário Barbosa se mostrou surpreso positivamente com tudo o que testemunhou, agradecendo aos detentos que estão construindo a história do projeto, sendo seus pioneiros. O secretário também destacou a busca pelo mercado “por mão de obra qualificada e gente que tem coragem para trabalhar como vocês, os quais, neste momento em que estão purgando uma dívida ao mesmo tempo que prestam um serviço relevante para a comunidade”, dando ênfase na economia gerada aos cofres públicos pela reforma.

O detento C.G., que cumpre pena por tráfico de drogas e homicídio, afirmou que sua participação no projeto tem sido um recomeço. O preso contou também da diferença com que já é visto sobretudo perante seus familiares, além de seus colegas de cela e outros internos da Gameleira que se mostram interessados em fazer parte também do “Mãos que Constroem”.

Na obra da 4ª DP ele presta serviço de carpinteiro e acredita que a sua qualificação na área lhe garantirá um futuro diferente, pois, para ele, se 90% da massa carcerária tivesse hoje uma oportunidade de qualificação e de seguir carreira, não voltaria para o mundo do crime.

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