Cotidiano

No Dia das Mães, mulheres vão ao presídio ‘comemorar’ data com filhos e maridos

Movimentação começou hoje cedo

Daiane Libero Publicado em 08/05/2016, às 14h16

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Movimentação começou hoje cedo

O Dia das Mães nos presídios de Campo Grande perigou não acontecer em razão da greve dos Policias Civis, encerrada neste sábado (7), mas hoje mães, esposas, filhos e filhas aguardavam desde cedo na porta do Presídio de Segurança Máxima, para verem seus maridos, pais, parentes e filhos. 

Uma das reclamações entre as mães, que levavam mantimentos e comida para os presos, foi em relação à ameaça de cancelamento que a comemoração sofreu após a greve. "Ainda bem que no final tudo se ajeitou e pudemos vir aqui", disse a empregada doméstica Lucilene da Rocha, 39, que estava ali para visitar o marido e o sobrinho. "Por causa do meu sobrinho, vou ficar o dia inteiro na visita, pois a mãe dele não pôde vir", explica. 

Outra reclamação que estava sendo feita pelas mulheres, conforme noticiado pelo Midiamax no dia 13 de abril, foi de que um pente-fino na Máxima apresentou "resistência" por parte de presos, culminando em bombas e isolamento. "Meu marido foi agredido e está com o braço quebrado por causa da questão", lembrou Lucilene. 

Visitas aconteceram na parte da manhã / Foto: Henrique Kawaminami

Momento difícil

Falar com as mães de presidiários no Dia das Mães é uma questão delicada, ainda mais pela questão da violência que os presos alegam ter sofrido no mês passado. Muitas vezes elas não se sentem à vontade de conversar, já que aguardam com ansiedade a abertura dos portões e a revista da Polícia. A PM (Polícia Militar), durante todo o dia, fica a postos também do lado de fora para qualquer eventualidade. "Vou ficar até 16 horas para acompanhar meu marido, para que ele tenha um Dia das Mães recente com meu filho", afirmou a dona de casa Vanessa Roberta da Silva, de 29 anos, com uma criança no colo. Na mala que carrega vai a refeição do dia. 

Para a comerciande Maria Adélia de Souza, 53 anos, a ocasião é um momento onde os presos sentem menos o impacto de estarem ali. "Meu filho foi preso e já é falecido, mas sempre venho aqui dar uma olhada nas mães, ver se precisam de alguma coisa. É um momento triste para quem é mãe ou esposa, saber que seu filho ou marido está nessa situação. Rezo muito para que os jovens se encaminhem e cada vez menos cometam crimes, para que suas mães não passem por isso", acredita. 

Jornal Midiamax