Cotidiano

Família de bebê com luxação no quadril vive agonia em busca de tratamento

Bebê pode perder o movimento das pernas

Tatiana Marin Publicado em 01/09/2016, às 16h27

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Bebê pode perder o movimento das pernas

Após tantas idas e vindas ao  HU (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), CEM (Centro de Especialidades Médicas) e Defensoria Pública, os pais de Melyssa Vilar Carvalho desistiram de tentar tratamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para a filha recém-nascida e estão arcando com os custos, pagando consultas e os exames necessários. A recém-nascida Melyssa Carvalho foi diagnosticada com luxação bilateral do quadril ocasionada por parto normal em apresentação pélvica (sentada). A condição causa a perda dos movimentos das pernas permanentemente se não houver tratamento.

O nascimento de Melyssa aconteceu no dia 8 de junho no Humap depois de mais de duas horas de espera. Segundo Rayana Vilar Carvalho, de 23 anos, pelo menos 5 acadêmicos e residentes fizeram o exame do toque e ficaram em dúvida. “Quando a médica chegou, constatou que ela estava sentada mas não havia mais tempo para fazer uma cesárea, mesmo sentada ela teve que nascer de parto normal”, relembra a mãe da criança.

A assessoria do HU emitiu nota dizendo que o hospital realizou os exames de rotina para bebês que nascem de parto com apresentação pélvica e foi constatada “luxação da cabeça do fêmur com a bacia”. Ainda segundo a assessoria “foi explicado para a família que o HU não dispõe de ambulatório na especialidade de ortopedia pediátrica e por isso foi fornecido um encaminhamento via Sistema de Regulação para o Centro de Especialidades Médicas do município (CEM), único lugar que dispõe desse tipo de tratamento pelo SUS em Campo Grande.”

Porém ao se dirigirem ao CEM, foram informados que o único profissional especializado em ortopedia pediátrica está de licença. O autônomo Erickson Carvalho, de 25 anos, pai de Melyssa conta que reclamou pela falta de especialista e que precisava com urgência da consulta para dar prosseguimento ao tratamento. “Minha filha não movimenta as pernas, ela precisa de tratamento o mais rápido possível, mas eles disseram pra eu reclamar na Ouvidoria do SUS”, conta ele.

Em nota, a assessoria de comunicação da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) informa que “foi solicitada uma consulta em ortopedia pediátrica, porém com classificação AZUL e atendimento eletivo, ou seja, não existe urgência”. Rayana e Erickson rebatem dizendo que o HU justamente emitiu a solicitação com classificação AZUL justamente por não haver especialista atendendo no momento.

“Na Ouvidoria, disseram que deveríamos ir à Defensoria Pública e conseguir uma ordem judicial para que o SUS pague o tratamento, mas quando estive lá, não havia defensores pois estavam em Brasília …”, pontua Erickson. Ele continua contando que perdeu muitos dias de trabalho e ainda não pode voltar na Defensoria para tentar novamente. “Por enquanto, mesmo sem condições, vou pagar do meu próprio bolso”, diz ele.

Jornal Midiamax