Cotidiano

VÍDEO: Industriários enfrentam sol e chuva na espera do ônibus

Pedido de cobertura é antigo mas estaria sendo ignorado

Midiamax Publicado em 28/04/2015, às 16h15

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Pedido de cobertura é antigo mas estaria sendo ignorado

Próxima a um ponto de ônibus que não cabem 15 pessoas abaixo da cobertura, uma placa da Administração Municipal ostenta a ‘presença’ do Poder Público na geração de empregos no Núcleo Industrial, por meio do Prodes (Programa de Desenvolvimento Econômico e Social de Campo Grande). Mesma situação pode ser vista, em outro lugar não muito distante, onde uma placa de inauguração da Universo Íntimo é a companhia todos os dias de centenas funcionárias que esperam no relento a chegada do Transporte Coletivo. Em dias de sol o problema é a poeira e o sol, enquanto nos dias de chuva é algo um pouco pior.

“Quando encerra o expediente temos que sair da área da empresa e não importa se está chovendo, como o mundo está fora de lá. Já pedimos a cobertura para esperar o ônibus, já que o ponto que existe é pequeno mas parecem não ter dado atenção”, reclama a auxiliar de costura, Mari Pereira, de 35 anos. A indignação dela é solidária na colega de trabalho, Michelly Inacia, de 43 anos, que reclama também da forma como as funcionárias são tratadas pelo transporte coletivo.

“É um mundaréu de gente, que vai como sardinha dentro do ônibus, sem contar os dias quando o embarque atrasa, ou com chuva e ninguém se importa com a condição que a gente passa. Eles sabem que não há estrutura para a espera do transporte coletivo porque são eles os autores do planejamento: quem incentivou a geração de empregos e quem determinou a colocação de um ponto que não protege ninguém”, diz.

A costureira da Cativa MS LTDA, Franciane Rosa (de 36 anos), que trabalha no Núcleo Industrial há seis anos vai mais longe na análise do problema dos pontos de ônibus na região, e é contundente. “Um ponto de ônibus melhor poderia ajudar, assim como se as empresas deixassem a trabalhadora esperar dentro de lá nos dias de chuva. Seria um ‘refresco’ para um problema muito maior. O Trânsito nessa região e no Indubrasil tem piorado e ficado mais perigoso, principalmente nesses horários de saída, no entanto a Prefeitura não se importa, nem a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). Se eles não ligam para o risco de vidas vão ligar para ponto de ônibus e gente que toma chuva?”. 

O Jornal Midiamax tentou falar com representantes de três empresas da região do Núcleo Industrial, com pontos de ônibus próximos e não obteve respostas sobre o empenho dessas organizações junto ao Poder Público para o apoio à implantação de proteções melhores nas paradas de embarque e desembarque do transporte coletivo. 

Poder Público Municipal

A Prefeitura também foi acionada para dar explicações sobre o problema e confirmou saber da alta concentração de pessoas que esperam pelo transporte coletivo nos pontos do Núcleo Industrial. Sobre a questão, o Poder Público Municipal afirmou ainda que a verdadeira razão do problema existir diz respeito ao horário de saída dos funcionários, ocorrida ao mesmo tempo em várias empresas. 

“O funcionário bate o ponto 17h e a partir das 17h01, já tem transportes coletivos de 4 linhas (417, 419,422 e 424), portanto, são 12 carros a disposição dos usuários”, informou a Assessoria de Comunicação da Agetran. 

Vandalismo e alta demanda

A Agetran se defendeu também das reclamações dizendo também sobre os abrigos, que eles seriam feitos com embasamento técnico. A agência citou para a equipe de reportagem que é interesse da Prefeitura de Campo Grande trazer maior comodidade à população enquanto aguarda o transporte coletivo.

“Mas, convém salientar, que no local em questão, no Polo Industrial são oferecidos 12 veículos de acordo com a solicitação do Recursos Humanos das industrias da região”, reforçou a Assessoria de Comunicação da Agetran a respeito do problema denunciado ao Jornal Midiamax.

Pendencia com os industriários

Contam as costureiras e auxiliares que operam na Universo Íntimo que a luta por um ponto de ônibus melhor é antiga. A empresa já teria orientado seus colaboradores a fazer um abaixo assinado que solicitasse à Agetran providências. “Abaixo assinado? Pra quê? Precisa disso para eles saber de um problema criado por eles. Criam o emprego no local contudo não dão dignidade”, reclama uma funcionária, de 21 anos de idade, que pediu para não ser identificada. 

Veja mais um vídeo da rotina dos trabalhadores do Núcleo Industrial de Campo Grande: 

Jornal Midiamax