Cotidiano

Vereadores temem que revitalização do centro prejudique comércio

Projeto foi criticado por parlamentares

Midiamax Publicado em 10/07/2015, às 15h37

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Projeto foi criticado por parlamentares

A proposta de revitalização do centro de Campo Grande, que deve custar US$ 56 milhões aos cofres públicos, foi criticada durante audiência pública realizada na manhã desta sexta-feira (10), na Câmara Municipal. Os parlamentares questionaram a necessidade do projeto e as consequências das obras para o comércio.

O pedido de autorização do empréstimo chegou à Câmara no dia 26 de junho. A Prefeitura quer autorização para emprestar US$ 56 milhões para que o valor seja aplicado na segunda fase do projeto de revitalização do centro da Capital.

Do valor total, US$ 20 milhões devem ser destinados para a revitalização da Rua 14 de julho, entre as avenidas Mato Grosso e Fernando Correa da Costa, enquanto o restante, ainda conforme os dados oficiais, serão usados para financiar projetos de empreendimentos habitacionais para aumentar a atual densidade populacional do Centro.

O dinheiro deverá ser captado junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que já deu aval para a transação.

Durante a audiência nesta manhã, o vereador Alex do PT, questionou as condições financeiras para custear o projeto. “Temos condições de pagar algo tão caro? Hoje o Município não consegue se quer colocar uma creche para funcionar. Sem contar que depois das 18 horas o centro não tem mais vida. Tinham de trazer mais pessoas para morarem na região”, declara.

A vereadora Luiza Ribeiro (PPS) também criticou o projeto. “A população elogia a capacidade de trânsito porque as ruas são largas, não consigo ver vantagem em estreitar a via. Desconfio que este projeto tenha tudo para ser mais uma obra como a da Júlio de Castilho ou a do Aquário do Pantanal”, frisa.  

O vereador Eduardo Romero (PT do B), indagou a respeito do prazo de conclusão do projeto. “Temo que essas obras comprometam as vendas no comércio nos meses de outubro, novembro e dezembro”, pontua.  A questão também foi destacada pelo presidente da ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), Roberto Oshiro.

“A Prefeitura deve primeiramente conversar com os comerciantes para saber se vai atrapalhar as vendas; fazer um cronograma detalhado de como serão as obras explicando se isso vai reduzir o número de estacionamento porque ao invés de diminuir a quantidade de vagas, deveria incentivar a construção de outras novas”, observa.

A audiência pública contou com a presença do presidente do Conselho de Segurança do Centro, Adelaido Espinosa Vila, que também questionou o projeto.  “Quer saber o impacto da restrição do trânsito na Rua 14 de Julho; o que estão fazendo para o trânsito nas outras ruas e como o prefeito vai tentar amenizar os prejuízos e transtornos no decorrer da obra. A Júlio de Castilho, por exemplo, só trouxe problemas, não resolveu nada. A Orla Morena é inaproveitável”, afirma.

A coordenadora da Central de Projetos da Secretaria de Governo, Katiane Sabadin, explica que não há condições de informar detalhes sobre prazo ou cronograma da obra até que haja aprovação por parte da Câmara de Vereadores.

“É preciso discutir muita coisa, mas para isso precisamos que a Câmara aprove o empréstimo mais rápido possível, afinal, não temos como passar cronograma enquanto não fecharmos o projeto com governo Federal. Agora só podemos garantir que vamos tomar todos os cuidados, fechar quadra por quadra, respeitar as datas festivas”, justifica.

Empréstimo – Depois de aprovado no Legislativo da Capital, o pedido de empréstimo será analisado pelo Tesouro Nacional, que verifica, por exemplo, a capacidade de endividamento da Prefeitura. Segundo o Município, não há risco de a proposta ser barrada nesta fase.

O empréstimo prevê juros de 1,18% ao ano, cinco anos e meio de carência e 25 anos para o pagamento, conforme informa a Prefeitura. A contrapartida à operação são R$ 116 milhões da União, recursos provenientes do PAC Mobilidade Urbana.

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