Cotidiano

Prestes a encerrar atendimentos, Cempe tem dia caótico e pais revoltados

Hospital deve vira centro de especialidades 

Kemila Pellin Publicado em 16/10/2015, às 22h28

None
_mg_4922_interna_-_3.jpg

Hospital deve vira centro de especialidades 

A espera de atendimento desde ás 12 horas desta sexta-feira (16), para a filha de 1 ano e 4 meses, que está com febre alta e constante, e ao ver uma criança convulsionar em sua frente, logos depois de passar pelo corredor e flagrar uma médica sentada, mexendo no celular, a mãe de 25 anos, que optamos por manter a indenidade preservada, cansou de tanto desrespeito e decidiu procurar a reportagem do Jornal Midiamax e narrar o fato.

“Assim que cheguei a atendente me disse que o hospital vai fechar. Mandaram juntar um grupo de pais e irmos na Câmara, cobrar uma solução dos vereadores. Daí eu quis saber do atendimento, porque minha bebê está com muita febre, e ela falou que três pediatras estavam atendendo, e estava tudo fluindo bem. Só que estou aqui até agora”, contou a mãe por telefone.

Ela ainda explicou que a filha passou pela triagem 40 minutos após dar entrada no hospital, sendo classificada como paciente de risco, e recebendo o prazo máximo de duas horas para ser atendida. Porém, as 17h58 da tarde, a bebê ainda estava esperando. “Eu já liguei no SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente), registrei a reclamação, pedi auxílio ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), até a polícia, porque isso aqui tá um caos, mas ninguém resolveu”, explica ao dizer que pelo menos 40 pessoas aguardam atendimento no local.

Depois da reclamação, uma equipe de reportagem passou pelo Cempe, e conseguiu conversar com alguns pais que reforçaram as queixas da atendente de telemarketing. “Eu vim aqui apenas entregar o exame de urina da minha filha, e já fazem duas horas que estou esperando. Eles disseram que a demora é por causa da troca de plantão dos médicos. Mas isso vai demorar para sempre!”, exclamou Dejair Santos da Silva, pedreiro de 43 anos.

A acadêmica de fisioterapia, Suely Romero, de 33 anos, falou que foi até a unidade de saúde, porque não conseguiu atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Vila Almeida. “Meu filho está com suspeita de dengue e eu preciso de atendimento. Na UPA perto do meu bairro não tem, então precisei vir até aqui. Está lotado, mas pelo menos o atendimento é de qualidade”, conta a mãe, que ficou 3h30 aguardando.

No hospital, funcionários informaram que no momento, não há ninguém para falar sobre a demora no atendimento, e nem quanto a previsão de fechamento e remanejamento dos médicos. Na Prefeitura, a assessoria informou que iria checar a situação junto a equipe de urgência e emergência, mandando unidades móveis para o local, caso haja necessidade.

Reestruturação

Na sexta-feira passada (9), o prefeito Alcides Bernal lançou o projeto de reestruturação do atendimento pediátrico em Campo Grande, abrangendo as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) Vila Almeida, Universitário, e Coronel Antonino, e Santa Mônica, Leblon e Moreninhas, que ainda estão sendo construídas, afirmando que as unidades serão adaptadas para prestar o serviço, de forma que atendam todas as microrregiões da Capital, além de seis municípios próximos.

Como o projeto vai receber verba de R$ 25 milhões, do SUS (Sistema Único de Saúde), Bernal destacou que a descentralização da saúde seria necessária, e que os médicos da unidade serão remanejados.

Especialidades

No Pai (Pronto Atendimento Integrado), ou antigo Cempe (Centro Municipal Pediátrico), como ficou conhecido, ficarão concentrados apenas os atendimentos de especialidades. Os pediatras plantonistas serão remanejados para as UPAs, seguindo o princípio básico do SUS (Sistema Único de Saúde), de descentralização da saúde.

Jornal Midiamax