Cotidiano

Negativa para transporte de recém-nascida é foco de denúncias entre HU e Samu

Bombeiros acabaram fazendo o serviço

Midiamax Publicado em 08/07/2015, às 23h09

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Bombeiros acabaram fazendo o serviço

O transporte de uma recém-nascida foi o foco de denúncias entre as duas instituições na manhã desta quarta-feira (8). A criança que precisava ser levada do HU (Hospital Universitário) para a Santa Casa de Campo Grande para passar por uma cirurgia cardíaca, acabou sendo transportada pela UR (Unidade de Resgate) do Corpo de Bombeiros de forma improvisada.

A mãe da criança falou com a equipe do Jornal Midiamax sobre o assunto. “Fui comunicada pelo HU de que o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) não faria o serviço de transporte e que eu precisava tomar outra atitude, entretanto, eles me explicaram que minha filha precisava de uma alfa, pois ela é um tipo de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) móvel, para que ela não corresse nenhum risco”, diz.

Com a negativa do Samu, a família da recém-nascida acabou ligando para o Corpo de Bombeiros. “Eles improvisaram o transporte com duas pediatras e duas enfermeiras do HU e nos acompanhou na viatura dos bombeiros até a Santa Casa”, lembra.

A criança estava intubada. O estado de saúde da recém-nascida expira cuidados e a cirurgia deve ser realizada entre esta quarta e quinta-feira (9), conforme informações da mãe da menina, que teve o nome preservado.

Samu

De acordo com o coordenador do Samu, Eduardo Cury, a negativa feita ao HU ocorreu por conta da irregularidade do local. “Eles têm que ter uma viatura móvel para fazer este tipo de transporte intra-hospitais, isso é norma do CFM (Conselho Federal de Medicina) número 2011, mas estão irregulares”, frisa.

Cury disse que não iria tirar uma viatura da população. “São dez viaturas móveis que temos para atender a população e três de alta complexidade, mas isso é para atender a população em estado de emergência e não para fazer serviço particular de hospitais. Além disso, o HU não disponibiliza funcionários para acompanhar o paciente na viatura, que é outro erro”, argumenta.

O coordenador do Samu afirmou para a equipe do Jornal Midiamax que vai denunciar o hospital. “Vou denunciar novamente este hospital para o MPF (Ministério Público Federal) por deixar esta mãe na mão”, finaliza.

Hospital Universitário

A equipe do Jornal Midiamax entrou em contato com a assessoria do HU, que por nota informou o que acontecera. Confira na íntegra:

“Na manhã desta quarta-feira, o Humap (Hospital Maria Aparecida Pedrossian) solicitou ao Samu transporte na ambulância alfa (de alta complexidade) para a paciente I.G de 38 semanas, internada na UTI Neonatal deste hospital a ser transferida para a UTI da Santa Casa. 

O pedido da ambulância de alta complexidade é devido a gravidade da saúde da criança, que tem cardiopatia congênita (anormalidade no coração que necessita de cirurgia) e estava entubada, respirando por ventilação mecânica.  A unidade móvel avançada possui todos os equipamentos necessários para o transporte seguro da paciente, que a unidade simples não comtempla. Diante da impossibilidade de transitar com a paciente em segurança e da negativa de atendimento do Samu, uma unidade móvel avançada do Corpo de Bombeiros foi acionado para o transporte seguro da criança.

O Hospital Universitário de Campo Grande conta com atendimento móvel, mas não o avançado, necessário para este caso. O Humap reitera que seguiu os trâmites legais ao adotar o que descreve a Resolução 2110/14 do CFM (Conselho Federal de Medicina), que em seu artigo 5, parágrafo único, reitera:

Não é atribuição do serviço hospitalar móvel de urgência e emergência o transporte de pacientes de baixa e média complexidade na rede, assim com o transporte de pacientes para realizarem exames complementares, devendo ser acionado apenas para o transporte de pacientes de alta complexidade da rede, o que se encaixa no caso da criança citada”.

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