Cotidiano

Corriqueiro: usuários afirmam já terem tomado chuva até dentro do ‘fresquinho’

Nem a linha executiva escapa de goteiras e falta de estrutura

Midiamax Publicado em 30/09/2015, às 21h17

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Nem a linha executiva escapa de goteiras e falta de estrutura

“Chover dentro do ônibus? Qual é a novidade? Acontece direto”. Usuários do transporte coletivo em Campo Grande afirmam já terem tomado chuva até dentro do “fresquinho”, apelido para a linha executiva, sessenta centavos mais cara e com ar-condicionado.

Depois de passageiros usarem guarda-chuva para não se molhar dentro de ônibus na manhã desta quarta-feira (30), o Jornal Midiamax foi às ruas e ouviu da população que é comum chover dentro dos ônibus na Capital.

“É normal. Goteira sempre tem. Isso quando não escorre água pelas paredes e formam poças no corredor. Já vi muita gente sair molhada do ônibus”, conta a estudante Bruna Pereira dos Santos, de 24 anos.

A linha executiva não escapa. Swamy Camila dos Santos, de 13 anos, afirma já ter pegado o “fresquinho” e tomado chuva. “Tinha várias goteiras, achei que ia escapar porque era ônibus melhor. Me enganei”. Ivonete Guimarães, de 40 anos, também disse que não se livrou da chuva dentro de ônibus da linha executiva.

A enfermeira Veridiana Aliandrez, de 34 anos, foi outra que revelou ter tomado chuva dentro de ônibus. “É um absurdo. Já não basta a falta de educação dos motoristas e das pessoas, a lotação, a demora, ainda toma chuva. É para acabar”.

Carroça

Outra reclamação de quem pega ônibus em Campo Grande é a superlotação. A revolta é tanta que os ônibus cheios ganharam a alcunha de “carroça”. É o que diz idoso de 70 anos que não quis ser identificado. “Tem linha que você pega que não é ônibus, é carroça. Tem dia que nem as portas fecham”.

A aposentada Elda Lamberti, de 69 anos, endossa o coro. “Em horário de pico tem ônibus que são verdadeiras carroças. Ninguém respeita, ninguém levanta para o idoso sentar. É ônibus quebrado, falta linha, está tudo ruim”.

Terminais também desagradam

Os terminais também desagradam os campo-grandenses. A falta de água em bebedouros, o estado de banheiro e os riscos de aguardar o ônibus lideram as reclamações. “Os terminais deixam muito a desejar. Toda noite presencio adolescentes brigando, usando drogas, assaltos.O terminal é um terror, uma insegurança só”, aponta Tairone Moura, de 25 anos.

Salvos pelo guarda-chuva

Para se proteger da forte chuva da manhã desta quarta-feira, passageiros do transporte coletivo de Campo Grande precisaram recorrer ao uso de guarda-chuva dentro de um ônibus que faz uma das mais movimentadas e importantes linhas da Capital. A situação foi flagrada por uma leitora do Jornal Midiamax que enviou a foto pelo WhatsApp.

De acordo com Sibila Gawlisnki, que usa todos os dias os ônibus campo-grandenses, a foto foi feita por volta das 5h40, no ônibus da linha 080 (Aero Rancho – General Osório). Segundo ela, este é o primeiro ônibus da manhã no Terminal Bandeirantes. “Está caindo muita água naquela borracha sanfonada, molhando os passageiros. Fora a lotação, ainda tem esta situação”. 

No último sábado (26), uma passageira flagrou goteiras, infiltrações e assentos molhados no ônibus da linha Marcos Roberto (121). De acordo com a jovem, não era possível se sentar nos bancos, pois estavam todos encharcados. 

De acordo com a Assetur (Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano), quando constatado este tipo de problema, é feito o reparo do carro. Os usuários podem ligar para a empresa para informar o defeito.

Aumento

Na semana passada, a Câmara Municipal realizou uma audiência pública para discutir o preço da passagem de ônibus. Os empresários compareceram à reunião e antes mesmo do começo da audiência, já informaram que mesmo com a redução da alíquota do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do óleo diesel, a tarifa não vai ser reduzida.

Em novembro, os empresários vão discutir o valor do passe e a possibilidade é de que o valor aumente. Os empresários justificam o aumento com base na integração, gratuidade dos estudantes e agora, o pedágio de Anhanduí.

Outro lado

A equipe de reportagem entrou em contato com a Assetur questionando sobre o estado das frotas e se não é feita vistoria antes de um veículo com problemas rodar a cidade. Também foi perguntado sobre o funcionamento das manutenções de rotina dos ônibus. Entretanto, a empresa se limitou a dizer novamente que quando constatado problema, é feito o reparo do carro e que os usuários podem ligar para a empresa para informar o defeito.

O Jornal Midiamax enviou perguntas ainda à Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande) sobre como é feita a fiscalização da qualidade do transporte coletivo na Capital, e também não recebeu retorno até o momento.

(Colaborou Guilherme Cavalcante)

Jornal Midiamax