Cotidiano

Com frio e chuva, quem mora na rua espera solidariedade para sobreviver

O álcool sempre é apontado como a causa de estarem na rua

Thatiana Melo Publicado em 15/06/2015, às 14h19

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O álcool sempre é apontado como a causa de estarem na rua

A história é quase sempre a mesma de quem mora na rua, o álcool é o grande vilão para quem antes tinha casa, família e acaba indo parar na rua, já que o alcoolismo não é aceito por quem convive com estas pessoas.

E a situação que já é precária piora com a chegada da temporada de chuva e frio. Orlando Costa, de 65 anos, há oito meses morando na rua conta com a solidariedade das pessoas para sobreviver. “As pessoas passam e dão comida, roupa, colchão, mas nunca dinheiro”, fala.

Orlando ainda diz que por vinte anos ficou longe do álcool, mas uma pequena derrapada ao entrar em bar para comprar um cigarro desencadeou todo o problema ao comprar uma latinha de cerveja. “Acabei bebendo todas, e meus filhos não aceitam bebida, então tive que sair de casa, mas um dia quero sair daqui porque isso não é vida”, explica Orlando que ainda diz que à noite quase não dorme com medo de que alguém possa atentar contra sua vida.

“Tenho medo que coloquem fogo em mim enquanto estiver dormindo”, conta com os olhos marejados. Outro morador que fica no mesmo ponto que Orlando, na Rua Machado de Assis esquina com Avenida Presidente Vargas, no Santo Amaro, é Gumercindo Oliveira.

O morador de rua já está nesta situação há três anos, e saiu de casa por causa do álcool. “Comecei a beber aos 10 anos de idade, ia para o bar jogar sinuca e comprava bebida com o dinheiro que ganhava trabalhando de servente com meu pai”, explica.

“A gente sempre espera a ajuda das pessoas que trazem comida, roupa, cobertor, mas nunca dão dinheiro e faço uns trabalhos de reciclagem e com ele compro minha pinguinha”, diz.  A história acaba se repetindo com o eletricista, José Wellington, de 62 anos, há três meses na rua.

“Tinha casa, carro e separei-me da mulher e vendi tudo o que tinha e não vou mentir gastei com pinga”, fala José. O eletricista afirma que não quer continuar nessa vida e que um dia pretende reencontrar os irmãos que moram no nordeste. “É ruim morar na rua, depender das pessoas para ter comida, roupa e com a solidariedade para tomar um banho”, fala José que continua dizendo que nesta madrugada seu colchão ficou todo molhado com a chuva, mas teve que dormir assim mesmo, já que não tinha solução.

O dono de um depósito de reciclagem, Jair Andrade, 46 anos, ajuda os moradores quando pode. “Eu fico com pena porque eles também são gente, e ajudo quando dá passando uns serviços para eles. O problema é o álcool, e eles sempre acabam voltando para cá.”, explica Jair.

De acordo com a Prefeitura o POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) atende diariamente 80 pessoas, mas só para atendimento em alimentação e higiene. Já o Cetremi (Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante) atende em média 80 pessoas por dia.  No local são abrigadas as pessoas moradoras de rua encaminhadas pelo centro POP, com alojamento e alimentação.

Jornal Midiamax