Cotidiano

‘Bicho do mato’ e ‘coisa ruim’: carioca ofende moradores de MS em vídeo

Ex-militar deve ser denunciado por corporação

Midiamax Publicado em 07/11/2015, às 10h32

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Ex-militar deve ser denunciado por corporação

Um jovem carioca publicou vídeo em seu Facebook, na quarta-feira (4), no qual ofende moradores de Corumbá e Ladário, onde trabalhou como fuzileiro naval da Marinha por dois anos. A gravação gerou revolta entre os corumbaenses e ladarenses. O autor da gravação removeu a publicação, mas ela foi salva e compartilhada, causando a repercussão.

O ex-militar fez declarações ofensivas e preconceituosas contra os moradores da região, humilhando os pantaneiros. Além de chamá-los de “bicho do mato” e “coisa ruim”, o jovem disse que a região é lugar de jacaré e capivara e que lugar de “gente fina” é no Rio de Janeiro.

Sobrou até para os bolivianos, que segundo ele “fedem a mijo”. Os pantaneiros foram ainda acusados de ter parte com o tráfico de drogas. Até a Marinha sofreu ataques. Confira o vídeo.

Não é a primeira vez

Não é a primeira vez que Corumbá é vítima de discriminação por parte de moradores de outro estado. Em março, postagem da página da Prefeitura de Curitiba causou polêmica no Facebook.

A postagem, que era um compartilhamento de foto da página Humans of Curitiba discriminava moradores de Corumbá. O relato comparava a educação dos habitantes das duas cidades, dando a entender que os moradores da cidade sul-mato-grossenses eram mal educados. 

"Uma vez em Corumbá-MS vi uma senhorinha de idade cair no meio da rua, nisso dois moleques passaram, roubaram a bolsa dela e saíram correndo. Esses dias vi a mesma cena aqui em Curitiba, uma senhora com dificuldades para andar caiu, e no mesmo segundo, quatro jovens que estavam perto já ajudaram ela a se levantar, preocupados, prestativos. A educação das pessoas aqui me agrada muito", dizia a publicação.

A publicação causou polêmica e foi considerada deselegante por muitos. Depois da repercussão negativa, a Prefeitura de Curitiba apagou a postagem e se desculpou publicamente, admitindo ter errado.

Marinha diz que jovem já foi desligado

Conforme publicado no site local Diário Corumbaense, a Marinha, através do Comando do 6º Distrito Naval de Ladário, informou que o carioca foi militar e serviu como fuzileiro naval do período de julho de 2012 a maio de 2014, sendo desligado “por não ter cumprido os requisitos necessários pautados na ética, na moral, na hierarquia e na disciplina, características fundamentais dos verdadeiros marinheiros”.

A Marinha do Brasil informou que a instituição encaminhará o vídeo “solicitando ações contundentes do Ministério Público Militar da União e Ministério Público Federal, a fim de tomarem as medidas judiciais cabíveis”.

Confira a nota na íntegra:

"Em relação à nota publicada na coluna Opinião, neste dia 06 de novembro, no site Diário Corumbaense que versa sobre um vídeo polêmico publicado por um suposto Fuzileiro Naval com ofensas contra a Marinha do Brasil, a região pantaneira e aos cidadãos ladarenses, corumbaenses e bolivianos, o Comando do 6º Distrito Naval esclarece que:

O autor do vídeo chama-se José Ricardo Ribeiro de Souza Júnior, serviu nas fileiras da Marinha do Brasil, como Fuzileiro Naval, no período de julho 2012 a maio de 2014, sendo desligado do Serviço Ativo da Marinha, “ex-officio”, por não ter cumprido os requisitos necessários pautados na ética, na moral, na hierarquia e na disciplina, características fundamentais dos verdadeiros marinheiros.

Em resposta, a Marinha do Brasil, por meio do Comando do 6º Distrito Naval, repudia firmemente este ato e qualquer outro de igual natureza que denigra a imagem da Marinha do Brasil, do povo ladarense, corumbaense e dos irmãos bolivianos, visto que o Comando do 6º Distrito Naval, há mais de um século, tem uma grande interação e um bom relacionamento com o povo pantaneiro e de países vizinhos.

Por fim, este Comando encaminhará o mencionado vídeo, solicitando ações contundentes do Ministério Público Militar da União e Ministério Público Federal, a fim de tomarem as medidas judiciais cabíveis".

Jornal Midiamax