Pesquisadores brasileiros identificaram um novo tipo de coronavírus em morcegos capturados no Ceará. Estudos afirmaram que o vírus não é o mesmo que causou a pandemia da covid-19.
O trabalho identificou sete coronavírus (CoVs) distintos em morcegos, incluindo um relacionado ao causador da MERS – doença respiratória viral que matou mais de 900 pessoas em diversos países, desde 2012 –, com 82,8% de cobertura genômica. Para a análise, foram aplicados ensaios moleculares, sequenciamento de RNA e análise evolutiva.
A projeção revelou “altas similaridades” com cepas de CoV relacionadas ao MERS encontradas em humanos e camelos. Além disso, análises da proteína spike do vírus indicaram a presença de resíduos que podem interagir com o receptor DPP4, o mesmo utilizado pelo MERS-CoV para entrar nas células humanas.
A pesquisa teve colaboração da médica veterinária Larissa Leão Ferrer de Sousa, que conversou com o Diário do Nordeste. Ela é especialista em Vigilância Sanitária, mestre em Saúde Pública e responsável pelo diagnóstico da raiva no Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen-CE).
A investigação ocorreu em parceria com a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), liderada pelo professor Dr. Ricardo Durães-Carvalho e a aluna de doutorado Bruna Stefanie Silvério, dentro da rede de vigilância laboratorial da raiva.
Segundo Larissa, o processo já faz parte de uma rotina de diagnóstico dessa doença para morcegos e outros mamíferos. As amostras para análise são enviadas pelos municípios do Estado do Ceará a fim de investigar a circulação de outros agentes virais com potencial zoonótico em morcegos.
De onde são esses morcegos?
Larissa Leão explica que a coleta dos espécimes foi realizado nos anos de 2022 e 2023. Ao todo, foram analisadas 423 amostras de swabs orais e retais de 16 espécies distintas de morcegos, coletadas em vários locais do Ceará.
Os espécimes que testaram positivo para coronavírus foram capturados nos municípios de Pindoretama, Iracema e Sobral, pertencendo às espécies Molossus molossus (insetívoro) e Artibeus lituratus (frugívoro, se alimenta de frutos). Eles não são hematófagos, ou seja, não se alimentam de sangue
De onde são esses morcegos?
Larissa Leão explica que a coleta dos espécimes foi realizado nos anos de 2022 e 2023. Ao todo, foram analisadas 423 amostras de swabs orais e retais de 16 espécies distintas de morcegos, coletadas em vários locais do Ceará.
Os espécimes que testaram positivo para coronavírus foram capturados nos municípios de Pindoretama, Iracema e Sobral, pertencendo às espécies Molossus molossus (insetívoro) e Artibeus lituratus (frugívoro, se alimenta de frutos). Eles não são hematófagos, ou seja, não se alimentam de sangue
Humanos podem ser infectados?
Mesmo com o esforço dos cientistas, não foi possível obter o genoma completo do vírus, o que impede qualquer afirmação de que ele possa causar infecções em humanos.
“Apesar de apresentar semelhanças com o MERS-CoV, sua identidade genômica foi de apenas 71,9%, o que indica que se trata de um vírus relacionado, mas distinto. Dessa forma, não há evidências para afirmar que esse coronavírus seja o mesmo que causou o surto de 2012”, afirma a pesquisadora.
Para confirmar essa hipótese, serão necessários testes laboratoriais, incluindo ensaios de ligação ao receptor e estudos em cultura celular.
Esses experimentos devem ocorrer ainda este ano, projeta ela, na Escola de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong, sob liderança do professor Leo Poon, virologista reconhecido internacionalmente por pesquisas sobre coronavírus e outros vírus respiratórios há mais de 20 anos.
(Informações do portal de notícias Diário do Nordeste)
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