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O ano de 2020 foi o mais violento para jornalistas do Brasil, com Bolsonaro liderando ataques

O número de casos de violência contra jornalistas teve um recorde em 2020, foi o ano mais violento para os profissionais da imprensa desde 1990, quando a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) passou a contabilizar os índices de violência sofridos na profissão. Segundo relatório, divulgado nesta terça-feira (26), foram registrados 428 casos de violência em […]

Gabriel Neves Publicado em 26/01/2021, às 11h50

Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Sérgio Lima/Poder360)
Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Sérgio Lima/Poder360) - Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Sérgio Lima/Poder360)

O número de casos de violência contra jornalistas teve um recorde em 2020, foi o ano mais violento para os profissionais da imprensa desde 1990, quando a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) passou a contabilizar os índices de violência sofridos na profissão.

Segundo relatório, divulgado nesta terça-feira (26), foram registrados 428 casos de violência em 2020, número 105,77% maior que o já alarmante número de 208 ocorrências, registradas em 2019.

A Fenaj, em seu relatório, associa o alto número à “sistemática ação do presidente da República, Jair Bolsonaro, para descredibilizar a imprensa e à ação de seus apoiadores contra veículos de comunicação social e contra os jornalistas’”.

Situação que se agravou em 2020 devida a cobertura da pandemia do novo coronavírus que assolou todas as regiões do país. A descredibilização da imprensa foi a violência mais frequente.

Dos 428 casos, 152 (35,51%) foram de discursos que buscavam desqualificar a informação jornalística, destes, Bolsonaro foi responsável, sozinho, por 145 casos de descredibilização da imprensa.

Falas como “a mídia mente o tempo todo”, “a mídia é uma fábrica de fake news”, “vocês são lixo” e “TV Funerária”, referindo-se à empresas jornalísticas e a jornalistas foram repetidas diversas vezes, a maioria delas pelo próprio presidente.

Bolsonaro também foi responsável por outros 26 registros de agressões verbais, duas ameaças diretas a jornalistas e dois ataques à FENAJ, totalizando 175 casos, o que corresponde a 40,89% do total de casos.

Centro Oeste

O Centro-Oeste foi a região brasileira com maior número de atentados à liberdade de imprensa no de ano de 2020. Em números, o Centro-Oeste registrou, em 2020, 130 casos de violência contra jornalistas e ataques à liberdade de imprensa, totalizando 48,55% do total.

O Distrito Federal foi a unidade federativa campeã em números de casos, com 120 ocorrências (43,48%). Entre os casos registrados no Estado, um foi o assassinato do jornalista Lourenço Veras, conhecido como Léo Veras.

Léo Veras foi morto na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, que faz divisa com a brasileira Ponta Porã. Ele atuava profissionalmente nas duas cidades e, em Ponta Porã era responsável pelo site Porã News, no qual denunciava o crime organizado na fronteira. Por isso, o caso é registrado.

Quem comete a violência

O presidente Jair Bolsonaro apareceu em primeiro lugar, como principal responsável pelos casos de violência cometidos em 2020. Foram 175 registros, que correspondem a 40,89% do valor total.

Logo depois estão os servidores públicos/dirigentes EBC, com 86 casos, que equivalem a 20,09%; depois políticos, com 39 casos, que equivale a 9,11%.

Em penúltimo lugar estão traficantes, caso onde se enquadra o assassinato de Léo Veras. Também foram registrados dois casos de violência cometida por jornalistas contra outros colegas de profissão.

Veja a lista completa dos principais autores:

O ano de 2020 foi o mais violento para jornalistas do Brasil, com Bolsonaro liderando ataques
Gráfico divulgado pela Fenaj com número de ataques cometidos contra jornalistas em 2020. (Foto: Divulgação)

Assassinato de Leo Veras

O crime ocorreu fevereiro de 2020. Leo estava em casa, jantando com a família, quando o grupo invadiu o local.

Ao menos quatro pessoas teriam participado do homicídio. Um dos autores ficou no veículo modelo Jeep Grand Cherokee usado no transporte, e outros três realizaram o ataque.

Logo ao levar os primeiros tiros, Léo correu para os fundos da residência, uma área escura, na tentativa de se proteger, mas foi perseguido.

Lá, os criminosos os terminaram de matá-lo com o total de 12 disparos. Em seguida o amordaçaram. Vídeos do local do crime divulgados logo após o assassinato mostram um pano branco, ensanguentado, que foi usado para tapar a boca do jornalista.

Jornal Midiamax