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Mandetta não comenta reunião com Bolsonaro, que recebe cotado a substituto no Planalto

Em uma semana tensa entre autoridades do Executivo, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), deixou uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nesta manhã (8), sem comentar o encontro ou falar com a imprensa. Minutos depois, o presidente teria recebido em seu gabinete – seu aliado – o deputado Osmar Terra […]

Matheus Maderal Publicado em 08/04/2020, às 11h43 - Atualizado em 09/04/2020, às 09h45

Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. (Leonardo de França/Midiamax)
Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. (Leonardo de França/Midiamax) - Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. (Leonardo de França/Midiamax)

Em uma semana tensa entre autoridades do Executivo, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), deixou uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nesta manhã (8), sem comentar o encontro ou falar com a imprensa. Minutos depois, o presidente teria recebido em seu gabinete – seu aliado – o deputado Osmar Terra (MDB-RS), que foi cotado para substituir Mandetta durante especulações sobre uma possível mudança na direção da pasta. As informações são do jornalista Matheus Schuch, do Valor Econômico.

Nos últimos dias, interlocutores do Planalto têm especulado um possível desligamento de Mandetta da pasta da saúde, em razão de discordâncias com Bolsonaro sobre as medidas restritivas de isolamento para conter a proliferação do coronavírus, que já matou cerca de 700 pessoas no Brasil.

Bolsonaro defende um afrouxamento do isolamento imposto aos brasileiros, além da abertura do comércio, igrejas e escolas. Além disso, fontes próximas ao Planalto afirmam que o presidente tem pressionado o ministro a editar um protocolo de hidroxicloroquina para tratamento do vírus no Brasil por meio de decreto.

Mandetta disse ao jornal O Estado de S.Paulo que recusou por falta de embasamento científico e recomendou que os profissionais procurassem o secretário de Ciência e Tecnologia da pasta, Denizar Vianna.

Minutos antes da reunião com Mandetta, nesta manhã, Bolsonaro usou sua conta no Twitter para defender, mais uma vez, o uso da hidroxicloroquina para o tratamento do Covid-19.  A medicação é usada para o tratamento do lúpus e da malária, e possui efeitos colaterais severos. O uso do medicamento tem dividido opiniões no mundo todo e teme-se que a utilização em massa para tratar o coronavírus acabe por privar portadores de lúpus, por exemplo, da medicação.

Com o nome ventilado para assumir Mandetta em pleno avanço da covid-19, Terra negou ontem ter recebido convite do presidente para ocupar o lugar do ministro. O deputado disse que apenas foi chamado ontem por Bolsonaro para almoço no Palácio do Planalto para tratar do uso da hidroxicloroquina.

Outra autoridade que defende ativamente o uso da cloroquina para tratamento de Covid-19 é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com a rede de notícias Aljazeera, Trump ameaçou retaliar a Índia, em uma conversa com o primeiro-ministro Narendra Modi, caso o país asiático não retirasse uma proibição da exportação do medicamento.

A índia proibiu a exportação de cloroquina porque vários países estavam estocando o medicamento, que é essencial no tratamento de lúpus e malária, por exemplo.

Setores da imprensa americana estão levantando suspeitas de que o presidente republicano esteja se beneficiando da valorização da cloroquina, uma vez que alguns de seus aliados têm interesse financeiro, por meio de ações, na farmacêutica francesa Sanofi, que produz a cloroquina.

Jornal Midiamax