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Afastado por 6 meses, Witzel se diz inocente, chama operação de ‘circo’ e ataca subprocuradora

Na esteira da decisão que o afastou do governo do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) se disse inocente, em uma coletiva de imprensa concedida nesta sexta-feira (28), e afirmou que não existe “um papel” de prova contra ele, diante da  denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) de corrupção ligada a desvios em contratos na […]

Matheus Maderal Publicado em 28/08/2020, às 10h58

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Na esteira da decisão que o afastou do governo do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) se disse inocente, em uma coletiva de imprensa concedida nesta sexta-feira (28), e afirmou que não existe “um papel” de prova contra ele, diante da  denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) de corrupção ligada a desvios em contratos na área da Saúde. Ele ficará afastado do cargo de governador por seis meses.

“Uma busca e apreensão, que mais uma vez, é uma busca e decepção. Não encontrou um R$ 1, uma joia. Simplesmente mais um circo sendo realizado”, disse o governador afastado. “Lamentavelmente, a decisão do excelentíssimo ministro Benedito, [foi tomada] induzido pela PGR na pessoa da doutora Lindora, que está se especializando em perseguir governadores, desestabilizar os estados da federação, com investigações rasas, buscas e apreensões preocupantes”, disse Witzel, sobre a decisão monocrática do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A subprocuradora Lindora Araújo é braço-direito de Augusto Aras, chefe da PGR e, de acordo com Witzel, amiga da família Bolsonaro. O governador sugeriu que ela agiria contra ele para favorecer o presidente.

Ex-aliados, Witzel e Bolsonaro têm trocado farpas desde o início da pandemia de coronavírus, com o governador criticando duramente a postura do presidente diante da doença que já matou mais de cem mil no País. À época, Witzel disse que Bolsonaro caminhava para o precipício e queria levar com ele todos nós ao se opor a medidas de isolamento social.

“Quero desafiar ao MPF, na pessoa da doutora Lindora. A questão agora é pessoal. Ela me adjetivou como chefe da organização criminosa. Quero que ela apresente um único e-mail, telefonema, uma prova testemunhal, um pedaço de papel que eu tenha pedido qualquer tipo de vantagem ilícita para mim”, disse Witzel. “Qualquer tipo [de prova]. ‘Não, mas os contratos da Dr. Helena Witzel são os contratos da lavagem de dinheiro’… para haver lavagem de dinheiro tem que ter vantagem ilícita. Qual foi a vantagem ilícita que eu pratiquei? estão criminalizando a advocacia”, acrescentou.

“Eu, assim como outros governadores, estamos sendo vítimas do possível uso político da instituição. O STJ possui vários subprocuradores. Por que não se faz como em qualquer outro Ministério Público a distribuição [dos processos] e não o direcionamento para um determinado procurador, no caso da Dr. Lindora”, questionou.

De acordo com reportagem do jornal carioca O Globo, o MPF identificou, com a quebra de sigilo telemático, dois e-mails do governador à primeira-dama, Helena Witzel, que mostram Witzel intermediando contratos dela com o Hospital Jardim Amália Ltda (Hinja), que pertence à família de Gothardo Lopes Netto. Médico, ex-prefeito de Volta Redonda e ex-deputado estadual, Gothardo foi preso na operação desta sexta-feira e é apontado como braço-direito do governador.

O MPF  afirmou ao STJ não ter localizado provas da prestação dos serviços estipulados no contrato. “Apesar de a contratação envolver somas consideráveis (com adiantamento de valores expressivos), não se encontrou evidência da prestação de serviços”, afirmou o ministro na decisão.

Na mesma operação, Pastor Everaldo, presidente do PSC, foi preso, apontado como participante do esquema de desvios na Saúde.

Jornal Midiamax