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Coordenador do MTST, Guilherme Boulos é preso pela PM em reintegração em SP

Guilherme Boulos foi detido por desobediência judicial e incitação à violência

Henrique Kawaminami Publicado em 17/01/2017, às 13h02

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Guilherme Boulos foi detido por desobediência judicial e incitação à violência

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, foi detido na manhã desta terça-feira (17) durante reintegração de posse de terreno ocupado em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. Ele dava apoio às cerca de 700 famílias quando foi detido por "incitação à violência".

"O companheiro Guilherme Boulos, da coordenação do MTST, que estava acompanhando a reintegração de posse da ocupação Colonial, acaba de ser preso pela PM de São Paulo", informou o movimento na fanpage do ativista.

Boulos falou ao blogueiro Leonardo Sakamoto, do UOL: "Cometem a violência de despejar 700 famílias e eu que sou preso por incitação à violência?", questionou.

Segundo ele, um comandante do Choque que participava da reintegração citou o ato perto da casa do presidente Michel Temer, ano passado, para justificar "a prisão [de Boulos] foi reincidência". Ano passado, o MTST fez atos perto da casa de Temer, no Alto de Pinheiros (zona oeste de SP), contra a suspensão da construção de casas do Minha Casa, Minha Vida. Em um desses atos, a PM usou bombas de gás e balas de borracha para dispersar os sem teto.

Ainda de acordo com o coordenador nacional do MTST, ele teria sido o único detido de um grupo que tentava negociar, com o comando do Choque, os termos da reintegração –por exemplo, de que maneira as famílias retirariam os pertences da área reintegrada.

Essa é a primeira vez que Boulos é detido pela PM em uma reintegração. Em outras situações, e mesmo em protestos com milhares de pessoas organizados pelo movimento, a relação dele com a Polícia Militar vinha sendo marcada pela cordialidade.

​Segundo notíciado pelo G1, Boulos foi detido por desobediência judicial e incitação à violência. Ele foi levado ao 49º Distrito Policial.

Sobre a reintegração, o Ministério Público informou há pouco que entrou na segunda-feira (16) com pedido de suspensão da ação de reintegração de posse porque as famílias não foram cadastradas para outras áreas de destino. O pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em julho do ano passado, o MP já tinha pedido o cadastramento das famílias, mas a justiça não aceitou na época.

"Prisão é absurda", diz MTST

Em nota divulgada na página do movimento no Facebook, o MTST classificou a prisão de Boulos como "absurda".

"O companheiro Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST, que estava acompanhando a reintegração de posse da ocupação Colonial, visando garantir uma desfecho favorável para as mais de 3000 pessoas da ocupação, acaba de ser preso pela PM de São Paulo sob a acusação de desobediência civil. Um verdadeiro absurdo, uma vez que Guilherme Boulos esteve o tempo todo procurando uma mediação para o conflito.Neste momento, o companheiro Guilherme está detido no 49ª DP de São Mateus.

Não aceitaremos calados que além de massacrem o povo da ocupação Colonial, jogando-os nas ruas, ainda querem prender quem tentou o tempo todo e de forma pacífica ajuda-los", informou a nota.

Integrante da coordenação nacional do MTST, Zenídio Barbosa Lima afirmou que os sem teto "estão horrorizados com a arbitrariedade da prisão". "Se não liberarem [Boulos], vamos todos à delegacia", disse.

Jornal Midiamax