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PF implica senadores do PMDB em propinas na construção de Belo Monte

Renan, Jucá, Jader e Raupp teriam recebido doações ilegais

Norberto Liberator Publicado em 05/09/2016, às 11h29

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Renan, Jucá, Jader e Raupp teriam recebido doações ilegais

A PF (Polícia Federal) apura um esquema de propina envolvendo empresas que construíram a usina de Belo Monte, no Pará. De acordo com a Folha de S. Paulo, os indícios implicam o PMDB como receptor de propina. O partido teria ainda repassado as doações ilegais aos senadores Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA), Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO).

A reportagem da Folha afirma que um dos indícios é o valor nas doações recebidas pelo partido das empresas integrantes do consórcio que construiu a hidrelétrica. No total, o documento citado pelo jornal paulista aponta que o PMDB recebeu R$159,2 milhões nas eleições de 2010, 2012 e 2014.

O suposto recebimento de propina em Belo Monte teria ligação com o fato de que a pasta de Minas e Energia pertencia ao partido, que indicou Edison Lobão (MA) para ministro. As informações são baseadas em depoimentos de delatores, como Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez.

Segundo os depoentes, o consórcio que construiu Belo Monte fez acordo em que teria de pagar 1% em suborno sobre o valor de R$ 13,4 bilhões, o total do contrato. Dessa forma, a propina teria sido de cerca de R$ 134 milhões.

O relatório da PF citado pela Folha une os depoimentos ao do senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS). Ele afirmou que Renan, Barbalho, Jucá e Raupp comandavam esquemas de desvio em empresas de eletricidade. Citado pelo jornal, o documento conclui que a maior parte das doações às campanhas dos quatro senadores não veio de empresas, mas do próprio PMDB.

Defesa

A Folha entrou em contato com o PMDB e os senadores citados no relatório. Em nota, o partido afirma que "o PMDB sempre arrecadou recursos seguindo os parâmetros legais em vigência no país. Doações de empresas eram permitidas e perfeitamente de acordo com as normas da Justiça Eleitoral".

A assessoria do presidente do Senado, Renan Calheiros, diz que "o senador reitera que as doações foram dentro das previsões legais e devidamente declaradas".

Romero Jucá declarou "que todos os recursos para campanhas políticas do PMDB em Roraima foram recebidos oficialmente e fazem parte das prestações de contas". Segundo sua assessoria, todas suas campanhas teriam sido aprovadas pela Justiça.

Valdir Raupp afirma que a doação em R$ 500 mil da empreiteira Queiroz Galvão foi para o diretório do PMDB em Rondônia, e não para ele. Segundo o senador, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou a quantia.

O advogado de Jader Barbalho, José Eduardo Alckmin, disse que "doação eleitoral em si não é propina nem crime". Ele afirma que, para que seja considerado propina, é necessário que haja envolvimento de funcionário público.

Jornal Midiamax