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Com desconto de até R$ 18 mil no carro zero, poucos deficientes usam benefício

Concessionárias de Mato Grosso do Sul exploram nova fatia de mercado

Midiamax Publicado em 15/04/2015, às 19h50

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Concessionárias de Mato Grosso do Sul exploram nova fatia de mercado

Estima-se que 6% da população de Mato Grosso do Sul seja um potencial cliente para a compra de carro novo com isenção de impostos como ICMS e IPVA, se requererem o direito por ter alguma necessidade especial. O benefício é garantido por uma lei federal que portadores de necessidades especiais (PNE) condutores, ou não, que neste caso poderiam comprar o veículo no seu nome, e elencar três pessoas para serem os seus motoristas. Essa fatia de Mercado foi até o fim de 2014 pouco explorada, em virtude da margem de lucro para as concessionárias neste tipo de operação ser menor. No entanto, o comércio automotivo de carros novos começa a mudar esse quadro e já investe em um atendimento exclusivo. 

“Teremos a partir do fim do primeiro semestre de 2015 um funcionário nosso, que é portador de necessidades especiais, no setor de vendas para exclusivamente atender a esse público. Houve nas concessionárias por muito tempo uma negligência a este tipo de consumidores, que por um estudo nosso sabemos que precisam de uma atenção diferenciada”, conta o diretor comercial de uma concessionária da Chevrolet, Ivan Perez de Mello.

O funcionário exclusivo para atender os portadores de necessidades especiais citado por Ivan é Amauri Loureiro, ainda em treinamento, até pelo menos o fim de maio de 2015. Estudante de direito, o vendedor de 42 anos, terá que fazer um aprofundamento da legislação sobre o benefício a esse segmento, podendo chegar a isenções de até 27% no valor de tabela.

“Pra mim, atender as pessoas que  vivem minha realidade é uma forma de promover inclusão social, além de preencher essa lacuna de informação que existe. Além, de vender irei ajudar pessoas como eu a exercerem os seus direitos”, diz o vendedor, que terá uma fase do seu treinamento na concessionária de outra montadora, pertencente ao mesmo grupo empresarial. 

Acesso ao desconto

Antônio Aparecido do Nascimento não é só apenas um consultor especializado na venda de carros novos para PNE. Ele é o vendedor responsável pelo programa de atendimento exclusivo a esse público da Fiat, chamado de Autonomy, que além da comercialização do veículo auxilia o portador de necessidades especiais a passar por todo o trâmite burocrático que garante o desconto. Toninho, como é conhecido também indica a oficina para que se faça as adaptações, já que a concessionária não realiza esse tipo de serviço. Todos os carros que têm câmbio automático e direção hidráulica de fábrica estão aptos a serem comercializados com descontos parciais e total a portadores de necessidades especiais. 

“A mesma margem de lucratividade de uma venda comum é atingida com duas vendas da média de retorno que a empresa pode ter na operação a esse público mas posso garantir que o retorno é muito maior, pela inclusão social oferecida. No entanto, a concessionária abriu os olhos, mais precisamente em 2014 para todo essa fatia de mercado, que representa cerca de 160 mil consumidores potenciais. Neste ano agora queremos já no segundo semestre vender por mês o que comercializamos em um ano, algo em torno de 25 carros novos a portadores de necessidades especiais”, esclarece Toninho.

Só na concessionária que ele trabalha são 16 modelos de veículos que poderiam ser comprados com desconto parcial ou total previsto pelo benefício da  Lei nº 8.989. O teto máximo para o preço do veículo ser enquadrado é de R$ 69.790. “Sempre me falavam de uma burocracia muito complicada, e se não fosse pela assessoria da concessionária eu não teria comprado o carro que hoje me oferece um qualidade de vida incomum. Antes eu não tinha onde guardar a cadeira de rodas”, diz o cliente, Evando Inácio, tetraplégico, que comprou um Doblò Essence com R$ 17 mil de desconto no preço de tabela, com isenções de ICMS, IPVA e outros impostos. 

Compra para quem já tem CNH

De acordo com a Sefaz, o primeiro passo deve ser feito no Detran (Departamento Estadual de Trânsito), onde uma junta médica realiza exames iniciais.Depois disso, o futuro condutor deve procurar a Receita Federal e pedir a isenção dos impostos federais, assim como no caso anterior.

A intenção de compra, dada pela concessionária, também deve se pedida para, assim, levá-la à Secretaria Estadual de Fazenda, onde são protocolados os pedidos de isenção do ICMS. Após a compra do veículo, o usuário deve voltar a procurar a Secretaria de Fazenda a fim de obter a isenção do IPVA, que pode chegar a 60% do valor total. Em ambos os processos, o tempo de duração pode chegar a 35 dias.

Processo para quem não tem CNH

Segundo o especialista em carros adaptados, Agton Ribeiro Couto, o PNE (Portador de Necessidades Especiais) que não tenha a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) deve, primeiramente, ir à Receita Federal a fim pedir a isenção dos impostos federais – IPI e IOF. Nesta fase ele também indica o nome de até três condutores para dirigir seu carro. Depois disso ele passa por uma junta médica da Receita Federal com a finalidade de obter um laudo.

De posse deste laudo, ele deve ir a uma concessionária e escolher o modelo do carro. Assim, a loja vai fornecer um documento chamado intenção de compra. Em seguida, de posse deste documento, ele procura a Secretaria Estadual de Fazenda, com a finalidade de obter os descontos do ICMS e do IPVA e retorna à loja para efetuar a compra.

De acordo com o Detran, os interessados devem acessar o site www.detran.ms.gov.br  com a finalidade de preencher o formulário para ter direito ao benefício. Depois disso, ele deve clicar na bandeira “Informativo de Impostos para Compra de Automóveis por Pessoas com Deficiência”. Lá o usuário fará um cadastro e terá acesso aos formulários já preenchidos, juntamente com a relação de documentos necessários para montar o processo de requerimento de isenção.

Pós-venda

De acordo com a Lei 8989, o comprador do carro só poderá vender depois de passados, pelo menos, dois anos. Ademais, uma pessoa que não tenha necessidades especiais e pretende comprar um carro adaptado usado, deverá pagar os tributos que foram descontados com juros desde a data de aquisição.

Como um PNE adquire CNH

De acordo com o diretor e instrutor de trânsito, Arancibio da Silva, de 53 anos, basta o PNE  procurar uma autoescola especializada. Lá serão feitos exames a fim de determinar o tipo de deficiência e de adaptação. Por fim, o futuro motorista passa pelas aulas e faz o exame teórico da mesma forma que os alunos convencionais. Para fazer o exame final, o Detran marca agendamento especial. Participam da avaliação dois examinadores, um médico e um conselheiro.

O estudante Matheus Henrique, de 18 anos, mora em Cassilândia e veio à Capital especialmente para participar do exame feito pelo Detran, nesta terça-feira (14). Ele tem uma doença que impede a movimentação plena dos braços e pernas. “Estou feliz porque passei e não tive nenhuma falta no percurso de rua. Agora pretendo comprar um carro”, termina.

Onde adaptar um carro

De acordo com o dono de uma oficina especializada em adaptações de veículos, Antônio de Lima Pedrosa, os para deficientes não saem prontos de fábrica. Assim é preciso passar por uma oficina depois da compra. “O preço médio sai por R$ 6 mil. A maioria de nossos clientes pede que instalemos o acelerador e freio manuais”, explica.

A oficina atende três carros por mês e o serviço leva até dois dias.

Jornal Midiamax