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MS pode ficar sem laboratório para avaliar agrotóxico contrabandeado

Recursos estão parados há sete anos 

Evelin Cáceres Publicado em 22/06/2017, às 10h45

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Recursos estão parados há sete anos 

Com recursos de R$ 2,8 milhões parados há sete anos, um laboratório de toxicologia de média complexidade que deveria ser instalado em Mato Grosso do Sul pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde) se tornará de baixa complexidade caso a proposta seja validada em Brasília. Com isso, a ideia inicial de analisar os mais diversos tipos de agrotóxicos usados nas lavouras e pecuária, além de tratamentos adequados por possíveis intoxicações em pessoas do Estado, ficaria prejudicada.MS pode ficar sem laboratório para avaliar agrotóxico contrabandeado

A denúncia do ‘jogo de empurra’ é de membros do Fórum Estadual contra os Agrotóxicos. O recurso, segundo a Funasa, está disponível desde 2010 entre licitação, desistência, novas ideias a serem analisadas e novo pedido de instalação que, até o momento, travaram o projeto e mudaram sua essência.

Chefe de engenharia da Funasa, Aristides Ortiz explicou que o recurso era destinado para a construção do laboratório em São Gabriel do Oeste. “Foi feita licitação na época, ficou pronta e já era a gestão de outro prefeito porque eles tiveram muita dificuldade na execução do projeto básico. Este prefeito desistiu, afirmando que seria muito caro manter o laboratório”.

A cidade, escolhida até então por conta do uso de agrotóxicos tanto na lavoura como na criação de suínos que poderia estar afetando a reserva de água subterrânea, desistiu do projeto. Para não perder os recursos, o MPF (Ministério Público Federal) mediou um encontro com representantes da Funasa e do governo do Estado, que mostrou interesse na construção.

Sem nenhum outro posicionamento, a Funasa levou a proposta para análise em Brasília. Neste período, o novo prefeito eleito de São Gabriel do Oeste apresentou um outro projeto, afirmando que poderia receber o laboratório, desde que ele fosse de baixa complexidade. “São equipamentos muito caros e o custo de manutenção não poderia ser arcado pela cidade”, explicou Ortiz.

Caso a manutenção fosse arcada pelo Estado, o projeto ficaria em anexo ao Lacen (Laboratório Central), em Campo Grande.

“Passando de média para baixa complexidade, o laboratório somente analisará os 24 tipos de agrotóxicos listados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e nós sabemos que em Mato Grosso do Sul existem agrotóxicos contrabandeados. Esses, mais nefastos, ficarão de fora da análise”, explica o médico Ronaldo Costa, um dos idealizadores do Civitox (Centro Integrado de Vigilância Toxicológica) do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) e membro do Fórum.

Para o Fórum, é importante a manutenção do projeto original para que seja possível fazer em Mato Grosso do Sul uma análise completa da contaminação em pessoas e do ar, solo e água pelos produtos, não ‘rebaixando’ o laboratório a baixa complexidade.

Deputado estadual, Amarildo Cruz (PT) disse já ter encaminhado dois requerimentos ao governo do Estado pedindo um posicionamento sobre a instalação do laboratório. “Parece que o governo não tem interesse no laboratório, que avaliará o uso de agrotóxico em Mato Grosso do Sul, o segundo estado brasileiro que mais usa o produto. E por aqui existem tipos piores de contaminação por conta do contrabando”, pontuou.

A Funasa deve levar, na próxima semana, as propostas de instalação do laboratório em Campo Grande, junto ao Lacen, com custeio feito pelo governo do Estado ou a construção em São Gabriel do Oeste para que a direção nacional do órgão defina onde ficará o projeto.

A reportagem solicitou posicionamento da Secretaria Estadual de Saúde sobre o assunto, mas até a publicação desta matéria não obteve retorno. (Colaborou Kleber Clajus)

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