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Portugal autoriza nascimento do primeiro bebê ‘feito’ para salvar irmão

'Bebê-medicamento' vai doar medula para irmã

Éser Cáceres Publicado em 30/04/2015, às 11h57

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‘Bebê-medicamento’ vai doar medula para irmã

O conceito de ‘bebê-medicamento’, apesar de controverso, começa a ser considerado oficialmente na Europa. Segundo informações do jornal português Público, nesta semana Portugal autorizou oficialmente que um casal tenha uma criança para doar a medula para outra filha deles, de cinco anos e com leucemia.

A tentativa de transferência de embriões foi realizada em uma clínica na cidade do Porto, mas não se sabe se o procedimento deu certo.

Segundo as agências internacionais, outro pedido já foi autorizado pela justiça portuguesa. Com a medida, Portugal abre ca Comunidade Europeia o precedente legal para a ‘criação’ de bebês para ajudar no tratamento de crianças doentes devido à alta taxa de compatibilidade genética entre irmãos.

Segundo dados do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), o pedido do casal português foi justificado pelo fato de que precisam de um doador para a filha de cinco anos, que tem leucemia linfoblástica. Em 2014 dois pedidos já haviam sido apresentados e autorizados porque não havia outra chance de tratamento para as crianças, contou Eurico Reis, presidente do CNPMA.

‘Diagnótico Pré-implantação’

Com o procedimento de “diagnóstico genético pré-implantação”, embriões ‘criados’ por fecundação in vitro, são analisados geneticamente para escolher os que são mais compatíveis com o doente e depois são transferidos para o útero da mulher onde serão gerados. O resultado, teoricamente, é uma criança com compatibilidade genética para doar tecidos e órgãos ao irmão.

Especialistas e ativistas de várias partes do mundo questionam a técnica do ponto de vista ético, alegando que não se sabe ainda o efeito da experiência nas crianças ‘criadas’ para salvar irmãos.

Portugal autoriza nascimento do primeiro bebê 'feito' para salvar irmãoPrimeiro nos Estados Unidos

O primeiro caso oficialmente documentado ocorreu em 2001, quando um bebê foi concebido para tratar Molly Nash. Ela tinha 6 anos de idade e anemia de Franconi, deficiência rara na medula óssea. Os embriões foram escolhidos para ‘filtrar’ a doença, escolhendo-se aqueles que não eram portadores. Desses, foram escolhidos os compatíveis com a irmão doente e um foi gerado, se tornando o garoto Adam Nash, bebê-medicamento pioneiro do mundo.

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