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Pesquisa brasileira mostra excesso de antibiótico em pacientes com câncer

A fragilidade do sistema imunológico faz com que pacientes com câncer estejam em risco maior para infecções

Clayton Neves Publicado em 14/04/2015, às 17h13

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A fragilidade do sistema imunológico faz com que pacientes com câncer estejam em risco maior para infecções

A fragilidade do sistema imunológico faz com que pacientes com câncer estejam em risco maior para infecções. De todas, a mais comum é a pneumonia, principal causa de internação e morte entre esse grupo. O problema pode estar na forma como se administram os antibióticos. Um artigo brasileiro publicado na edição de ontem da revista Plos One demonstrou que o tratamento personalizado poderá diminuir o número de óbitos associados à doença.

Conduzido pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), o estudo analisou dados de 335 internados no Instituto Nacional de Câncer, no Hospital Sírio-Libanês e na Santa Casa da Misericórdia de Porto Alegre. A taxa de mortalidade variou de 45,8% a 64,9%. Os pesquisadores, liderados por Jorge Salluh, do Idor, investigaram os fatores associados à pneumonia entre esses pacientes e encontraram uma explicação diferente da habitual. Costuma-se acreditar que, somada à imunidade baixa, a frequente circulação por hospitais propicie o contato com superbactérias, as extremamente resistentes a remédios. Contudo, nos prontuários investigados, menos de 14% dos pacientes haviam sido infectados por agentes patógenos do tipo.

Os pesquisadores ressaltam que, embora, de fato, sejam um fator importante, as superbactérias não explicam a suscetibilidade dos pacientes oncológicos à pneumonia. “A gravidade da doença e a disfunção dos órgãos parecem ser os melhores fatores de predição de mortalidade do que a presença de patógenos multirresistentes”, disse, em nota, Jorge Salluh. 

A descoberta pode levar ao desenvolvimento de métodos de tratamento mais eficazes, com o objetivo de diminuir a mortalidade dos pacientes oncológicos que pegam pneumonia. “Como existe essa ideia de que as bactérias multirresistentes têm um grande peso, o tratamento atual é padronizado. Aplicamos para todos os pacientes dois ou três antibióticos que cobrem esses organismos resistentes”, explica Salluh. “Mas a incidência dos diferentes tipos de bactérias é variável de acordo com a região do mundo e nem sempre isso é levado em consideração.”

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