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Para evitar zika e risco de microcefalia, orientação é combate a mosquito

Um caso de microcefalia foi registrado em Dourados

Gerciane Alves Publicado em 20/11/2015, às 21h00

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Um caso de microcefalia foi registrado em Dourados

Com cerca de 400 casos de microcefalia registrados em recém-nascidos no nordeste do Brasil, e um registrado em Mato Grosso do Sul nos últimos dias, especialistas recomendam que os cuidados com a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor do Zika vírus, sejam redobrados em Mato Grosso do Sul. A relação das mulheres infectadas pelo vírus Zika com a malformação dos bebês tem preocupado os especialistas. 

O médico infectologista Rivaldo Venâncio, especialista em doenças tropicais, alerta que chances de Mato Grosso do Sul desenvolver um surto de microcefalia, como o que está acontecendo no nordeste do país, é grande como em qualquer outro lugar por causa do clima favorável. “Toda cidade no Brasil ou na América Latina em que houver o Aedes aegypti, temperatura elevada e principalmente chuva poderá ter epidemia e nos lugares onde houver casos de Zika acontecendo em grande quantidade poderão surgir casos de microcefalia”, diz.

Certo de que Mato Grosso do Sul passará por uma epidemia do vírus Zika, o infectologista ressalta que além do clima brasileiro favorecer a proliferação do mosquito a movimentação da população no país faz com que a doença migre de um Estado para outro. “Eu posso afirmar que terá epidemia de Zika aqui, é só olhar os índices do mosquito. É uma questão de tempo. Hoje uma pessoa está no nordeste de manhã e a tarde está em Campo Grande, não tem como criar uma barreira”, conta.

De acordo com o médico infectologista, desde que o vírus foi identificado em 1947 na floresta de Zika, na África, nunca houve uma epidemia da doença tão acentuada como a que está acontecendo no Brasil e por isso a relação da microcefalia com o vírus é nova. Segundo ele, algumas características do vírus estão sendo descobertos agora por conta do grande número de casos.Para evitar zika e risco de microcefalia, orientação é combate a mosquito

 “Nós não conhecíamos plenamente a doença quando ela chegou no Brasil e algumas características da doença não tinham sido manifestadas ainda. Todos os outros casos registrados nas últimas décadas aconteceram em cidades menores com pouca população e por isso algumas características da doença foram consideradas eventos raros. A partir do momento em que elas começam a aparecer em grande escala é que  as manifestações do vírus, até então desconhecidas, começam a aparecer”, explica o infectologista.

O médico ressalta que a melhor forma de evitar a doença é não permitir que o mosquito se reproduza e nos caso das gestantes é essencial procurar o médico ao primeiro sinal da doença. “As orientações são as mesmas sempre: evitar as condições que podem facilitar a reprodução do mosquito como água parada em objetos e pneus. No caso das gestantes, todas devem fazer o pré-natal normalmente sem desespero e se apresentarem alguma sintoma procurar imediatamente o médico”, conclui.

Caso em Mato Grosso do Sul

Um bebê nasceu com microcefalia, em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande, após a mãe ter apresentado os sintomas da doença zika vírus antes do parto. O caso chegou ao conhecimento da vigilância epidemiológica da cidade na manhã desta sexta-feira (20) e ainda não há detalhes.

A mãe da criança fez uma viagem a Roraima e ao retornar teve os sintomas parecidos com a doença. A notificação à vigilância epidemiológica foi feita por um consultório particular e o coordenador do órgão deve se inteirar do caso ainda nesta sexta. (Texto sob supervisão de Marta Ferreira)

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