Estudo sugere ser possível tratar autismo ainda na fase embrionária

Entender como o autismo compromete o desenvolvimento do cérebro tem sido um grande desafio para cientistas
| 17/07/2015
- 18:34
Estudo sugere ser possível tratar autismo ainda na fase embrionária

Entender como o autismo compromete o desenvolvimento do cérebro tem sido um grande desafio para cientistas

Entender como o autismo compromete o desenvolvimento do cérebro tem sido um grande desafio para cientistas. O distúrbio não tem causa totalmente conhecida. E o órgão vital está longe da obviedade. Um grupo de estudiosos dos Estados Unidos apostou em uma solução milimétrica para avançar no impasse e chegou a constatações promissoras, detalhadas na última edição da revista Cell Press. Em minicérebros, eles descobriram que, em autistas, há um problema no DNA que compromete a atividade dos neurônios.

“Em vez de partir da genética, começamos com a biologia do distúrbio a fim de tentar obter uma janela para o genoma dele”, explica Flora Vaccarino, autora sênior do estudo e professora de neurobiologia da Escola de Medicina de Yale. Mais de 80% dos casos de autismo não têm causa genética clara e, segundo Vaccarino, as mutações já descobertas são extremamente heterogêneas — cada uma responde por menos de 2% dos casos.

Por isso a tentativa de se voltar para uma abordagem mais tradicional do cérebro. Os pesquisadores escolheram uma característica comum a 20% dos pacientes com autismo que sinaliza o agravamento do problema: a cabeça com um tamanho maior que o tradicional. “Os autistas tem mais neurônios frontais, e essas células estabelecem conexões diferentes entre elas. Uma das consequências é o alargamento do cérebro”, explica Wanderley Domingues, neurologista e neuropediatra da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e não integrante do estudo.

Quatro famílias participaram do estudo norte-americano, sendo que os casais não tinham o transtorno, mas os filhos sim. Os cientistas recolheram células da pele dos adultos e das crianças e, em laboratório, as transformaram em células estaminais pluripotentes induzidas (IPSCs), capazes de dar origem a qualquer outra estrutura do corpo. Assim, sugiram os minicérebros.

Segundo os autores, mesmo com milímetros de diâmetro, os organoides cerebrais reproduzem os conceitos básicos do desenvolvimento inicial do cérebro humano. Flora Vaccarino explica que eles correspondem aos primeiros meses da gestação de um feto. Nos pequenos órgãos criados a partir da pele das crianças autistas, os pesquisadores perceberam que ocorria uma superprodução de neurônios inibitórios. Porém, as células nervosas responsáveis por excitar as próximas não foram atingidas. Esse desequilíbrio na atividade neuronal não se deu nos minicérebros oriundos dos adultos.

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