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Baladas, celulares e fones de ouvido ameaçam a audição

Segundo médicos, as queixas de hipersensibilidade auditiva e zumbidos têm aumentado

Clayton Neves Publicado em 05/04/2015, às 14h34

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Segundo médicos, as queixas de hipersensibilidade auditiva e zumbidos têm aumentado

A poluição sonora e o uso frequente de celulares e fones no volume máximo são algumas das situações cotidianas que colocam a audição em risco. E os estragos têm sido cada vez mais frequentes, dizem os médicos. Nos consultórios, há um aumento de pacientes que sofrem com hipersensibilidade auditiva e zumbidos. “Como os celulares são equipamentos relativamente recentes, não temos muitas pesquisas científicas que comprovem os malefícios, mas é certo que as ondas eletromagnéticas influenciam a saúde dos ouvidos. A longo prazo, os abusos podem gerar um comprometimento da audição”, alerta Elizabeth Camargo Negri Flores, otorrinolaringologista da Rede Mater Dei.

Levantamento da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (Apidiz), em parceria com o Instituto Ganz Sanchez, mostra que, no Brasil, há cerca de 48 milhões de pessoas que sofrem com zumbido no ouvido. O número é 71,4% maior aos 28 milhões estimados há quase 20 anos. “O aumento do nível de poluição sonora e a demanda reprimida, pois muitas pessoas desconheciam a existência desse transtorno, são as causas do aumento na procura dos consultórios”, avalia Elizabeth Flores.

A hipersensibilidade auditiva manifesta-se como uma hiperacusia ou uma misofonia. Intolerância ao volume dos sons, a hiperacusia pode ser confundida com a superaudição. A otorrinolaringologista e presidente da Apidiz, Tanit Ganz Sanchez, explica que, em pessoas com o problema, o incômodo com sons começa antes. Pode aparecer sozinho ou acompanhar o zumbido. “Para se ter uma noção, uma conversa em volume normal alcança de 60 a 70 decibéis. Nos casos mais graves, as pessoas sentem desconforto ao ouvir sons de 40 ou 50 decibéis”, exemplifica.

A misofonia caracteriza-se pelo estranhamento a alguns tipos de som, como passar a unha em um quadro-negro ou ao latido de cachorros. Tanit ressalta que a complicação é considerada doença psiquiátrica. “As pessoas com essa deficiência reagem com muita raiva a esses sons, podendo chegar a agredir quem os produz”, diz. Segundo a especialista, há estudos que buscam entender se há um componente físico relacionado à dificuldade de manter atenção nas tarefas por causa de sons que a maioria consegue ignorar facilmente. O uso de fones pode agravar a situação. “O pior é que muitos pacientes usam com música alta para tentar encobrir esses sons repetitivos que incomodam. Isso, porém, pode gerar dois problemas a médio prazo, o zumbido e a perda auditiva”, reforça.

Jornal Midiamax