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Temer lavou propina em imóveis da família, suspeita Polícia Federal

Presidente diz que responderá ataques à sua família

Richelieu Pereira Publicado em 27/04/2018, às 11h36

Presidente é alvo de investigação sobre decreto dos portos. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Presidente é alvo de investigação sobre decreto dos portos. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) - Presidente é alvo de investigação sobre decreto dos portos. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Apuração preliminar da Polícia Federal vê indícios de que o presidente Michel Temer (MDB-SP) teria usado dinheiro de propina para reformar imóveis da família e teria ocultado bens em nome de terceiros, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo. Marcela Temer, sua mulher, e o filho do casal são donos de alguns desses imóveis.

Até agora, a investigação aponta que o presidente recebeu, por meio do coronel João Baptista de Lima Fillho, ao menos R$ 2 milhões de propina em 2014, quando Temer foi reeleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff (PT-MG), segundo matéria publicada nesta sexta-feira (27).

Neste mesmo ano, duas reformas foram feitas, em valores semelhantes, em propriedades de familiares do emedebista, da filha Maristela Temer e da sogra, Norma Tedeschi. Conforme o jornal paulista, um dos fornecedores da reforma de Maristela afirmou ter recebido em dinheiro vivo pagamentos pelos produtos, todos das mãos de Maria Rita Fratezi, mulher do coronel Lima.

A origem do dinheiro das obras são, para investigadores, a JBS e uma empresa contratada pela Engevix. Executivos da JBS afirmaram em delação que repassaram R$ 1 milhão a Temer, com intermediação do coronel, em setembro de 2014.

Pela linha de investigação do inquérito em andamento autorizado pelo Supremo Tribunal Federal, sobre a edição de um decreto para o setor portuário, o esquema começou há mais de 20 anos e chegou até os dias atuais, ou pelo menos até o mês de maio do ano passado, quando o presidente assinou um decreto prorrogando contratos de concessão e arrendamentos portuários, beneficiando companhias ligadas ao MDB.

A Polícia Federal enviou ao Supremo na quinta-feira (26) um pedido de prorrogação do prazo do inquérito, por mais 60 dias.

Nesta segunda fase, o objetivo dos investigadores é aprofundar a conexão entre os serviços prestados aos familiares de Temer e concluir a análise de material apreendido com alvos da operação Skala, deflagrada no fim de março.

O depoimento de outro amigo de Temer, José Yunes, também está sendo considerado importante. Ele disse à PF que um dos imóveis vendidos por ele a Temer foi doado ao filho do presidente três ou quatro anos atrás. Afirmou também que a casa que vendeu a Marcela foi paga com valores que pertenciam ao presidente.

Temer diz que responderá ataques à família

Em pronunciamento de aproximadamente 10 minutos nesta sexta, Temer afirmou que os ataques feitos recentemente a ele e à sua família são de natureza “moral” e não ficarão “sem resposta”.

“Sei me defender, especialmente defender minha família e meus filhos”, destacou. Temer disse que sofre uma “perseguição criminosa disfarçada de investigação” e que, se pensam que vão derrubá-lo, “não vão conseguir”.

Temer disse que trabalha há quase 60 anos e sempre teve rendimentos devidamente declarados no Imposto de Renda.

“Não tenho casa de praia, não tenho casa de campo, não tenho apartamento em Miami, não tenho vencimentos e salários a não ser aqueles dentro da lei”, ressaltou. “Qualquer contador, qualquer pessoa de bem, qualquer professor de matemática consegue concluir que ao longo do tempo eu obtive recursos suficientes para comprar os imóveis que comprei e reformar os imoveis que reformei.”

O presidente se queixou que desde o início das investigações não foi procurado para apresentar os documentos que provam a posse legal dos imóveis.

Temer disse ainda que vai pedir ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que apure internamente como se dão os vazamentos sobre os detalhes do inquérito, como o que ocorreu à imprensa, além de sempre que sua defesa pede acesso ao inquérito, o acesso é negado sob o argumento de que as diligências estão sendo feitas e que as investigações ocorrem em sigilo.

Jornal Midiamax