Dia 12 de maio é comemorado o dia nacional da Enfermagem, mas para a categoria em Mato Grosso do Sul, os motivos para comemorar ainda são menores que aqueles que precisam ser resolvidos. Há cerca de um mês o Coren (Conselho Regional de Enfermagem) está sob intervenção e os profissionais desconfiam que a medida possa prejudicar a fiscalização dos trabalhos prestados em unidades de saúde.

“O conselho é quem dá o alvará provisório e fiscalização para o profissional trabalhar, só que com a intervenção isso não tem sido feito. O Sindicato está preocupado, é o nosso trabalho deixando de ser avaliado e mesmo assim sendo prestado à sociedade”, explica a vice-presidente do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), Helena Delgado.

Há cerca de um mês o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) alegou irregularidades na Prestação de Contas Ordinária do exercício 2012 do Coren. No ano passado, o MPF (Ministério Público Federal) já havia instaurado inquérito civil para apurar supostas fraudes em procedimentos licitatórios e pagamento indevido de passagens e diárias aos conselheiros de Mato Grosso do Sul. O processo ainda tramita em inquérito de investigação, no Ministério Público Estadual.

A intervenção também suspendeu as eleições para o Conselho Regional, o que representa outra frente de preocupação para o Siems. “Em cinco meses o Coren teria que passar por processo eleitoral, mas com a intervenção ficam 17, 2 mil profissionais de enfermagem à mercê de apenas três representantes definidos por Brasília”, explica Helena.

Motivos para Comemorar – Por outro lado, a vice-presidente do Siems acredita que a categoria hoje tem também motivos a festejar. “Temos muitos avanços na ciência e tecnologia em relação há dez anos. Antes nós corríamos risco embalando seringas. Hoje os trabalhadores estão muito mais preparados. Com certeza esse avanço temos que festejar. Só que ainda temos um número insuficiente de profissionais pra prestar esses serviços”, pontua Helena Delgado.

Segundo o sindicato, hoje a Santa Casa de Campo Grande, um dos principais  hospitais do Estado, tem número inadequado de profissionais. “Não sei te precisar a proporção exata agora, mas basta ir lá e qualquer um vê isso”, argumenta.

Outro ponto que , segundo Delgado, poderia ser melhorado é em relação à remuneração. De acordo com o sindicato, atualmente a base salarial de um enfermeiro na Capital é em torno de R$3.072. Na região sul, considerada a região com o menor salário à categoria, o valor é de R$ 2.011.

Expectativas – “Esperamos uma fiscalização mais eficiente e maior envolvimento do Coren na regulamentação da jornada de trabalho, pra 30h semanais. Também queremos maior eficiência na fiscalização do exercício profissional e, principalmente, do cumprimento do dimensionamento adequado de profissionais adequados pras unidades de saúde”, avalia Helena.