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Rebeldes acusam regime sírio de ter transferido armas químicas para as fronteiras

Os rebeldes sírios acusaram nesta terça-feira o regime de Bashar al-Assad de ter transferido armas químicas para as fronteiras do país, no dia seguinte à ameaça de Damasco de usá-las em caso de “agressão externa”. No momento em que os combates se intensificavam em Aleppo (norte), pulmão econômico da Síria, a secretária de Estado americana, […]

Arquivo Publicado em 24/07/2012, às 19h39

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Os rebeldes sírios acusaram nesta terça-feira o regime de Bashar al-Assad de ter transferido armas químicas para as fronteiras do país, no dia seguinte à ameaça de Damasco de usá-las em caso de “agressão externa”.


No momento em que os combates se intensificavam em Aleppo (norte), pulmão econômico da Síria, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, considerou que “não é tarde demais” para o presidente Bashar al-Assad iniciar uma transição de poder. A violência deixou pelo menos 108 mortos em todo o país, incluindo 71 civis, segundo um registro provisório do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede na Grã-Bretanha, que não pode ser verificado.


O Exército Sírio Livre (ESL) afirmou que o regime “transferiu algumas armas (químicas) e equipamentos de mistura de componentes químicos para aeroportos na fronteira”, sem mais detalhes. Um membro do Ministério israelense da Defesa, Amos Gilad, na tentativa de tranquilizar seu país, disse que o regime sírio controla “plenamente” o seu arsenal de armas químicas.


Ele acrescentou ainda que o Hezbollah, movimento armado xiita aliado de Damasco, “não possui armas químicas provenientes da Síria”. O regime reconheceu pela primeira vez que possui um arsenal químico e advertiu que essas armas não-convencionais poderiam “ser usadas somente em caso de agressão estrangeira” e “nunca” contra a população, o que provocou a reação imediata da comunidade internacional. Nesta terça-feira, a Rússia lembrou em um comunicado que Damasco havia ratificado o Protocolo de Genebra de 1925, que proíbe a utilização de armas químicas.


“Queremos ressaltar que a Síria aderiu em 1968, por meio de sua ratificação, ao Protocolo de Genebra de 1925 que proíbe a utilização de gases asfixiantes, tóxicos ou outros gases deste tipo”, indicou o Ministério russo das Relações Exteriores, que pede que Damasco cumpra seus compromissos internacionais. As redes árabes Al-Jazeera e Al-Arabiya anunciaram a deserção da encarregada de relações com a Síria no Chipre, Lamia Hariri, que seria a segunda desse tipo após a do embaixador da Síria no Iraque, se essa informação for confirmada.


Aleppo no centro dos combates á Pelo quinto dia consecutivo, intensos combates foram registrados nesta madrugada em vários bairros de Aleppo (norte). As áreas rebeldes da cidade foram metralhadas por helicópteros, segundo o OSDH. Ontem um membro do conselho militar rebelde anunciou a “libertação” de vários bairros da cidade pelos insurgentes. À noite, oito presos foram mortos na repressão a um motim na prisão central de desta cidade, segundo a oposição. O Exército, determinado a esmagar a revolta iniciada em março de 2011, lançou ofensivas contra os bairros de Qadam e Aassali, últimos redutos de resistência rebelde na capital Damasco.


Reestruturação do aparato de segurança Menos de uma semana após um atentado que matou quatro autoridades de segurança, incluindo o cunhado de Assad, e regime realizou uma série de nomeações, encarregando principalmente o general Ali Mamlouk, homem de confiança do presidente, de chefiar o gabinete de Segurança Nacional, e o general Rustom Ghazalé, de dirigir a Segurança Política. O regime rejeitou uma proposta árabe de uma saída negociada do presidente Assad para evitar a continuação da violência que deixou mais de 19.000 mortos em 16 meses de revolta, de acordo com OSDH. Os Estados Unidos exortaram o regime sírio e a rebelião a trabalhar por uma transição do poder.


“Acreditamos que não é tarde demais para que o regime de Assad comece a programar uma transição que permita encontrar um meio de pôr fim à violência”, declarou Hillary Clinton. O Conselho Nacional Sírio (CNS) negou que esteja disposto a aceitar que uma “personalidade do regime” governe o país durante o período de transição, como havia sido dito anteriormente por um porta-voz desta que é a principal coalizão de oposição. Neste contexto, o chefe das operações de manutenção da paz da ONU, Hervé Ladsous, chegou a Damasco para acompanhar os trabalhos da missão de supervisão da ONU na Síria (Misnus), que foi prolongada na sexta-feira por um “último período de 30 dias”.

Jornal Midiamax