Publieditorial

Pesquisadora produz cosméticos e gera renda a partir de ‘frutos’ do cerrado

Instalada na incubadora da UFMS, pequena empresa obtém sua matéria-prima de cooperativas de agricultores

Midiamax Publicado em 06/10/2015, às 10h59

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Instalada na incubadora da UFMS, pequena empresa obtém sua matéria-prima de cooperativas de agricultores

Os galhos retorcidos, as cascas duras e grossas, as folhas cobertas de pelos das árvores pequenas e tortuosas esparsamente emergem de uma vegetação rasteira com um aspecto espinhoso e amarelado de sequidão. Trata-se do cerrado, bioma também chamado de savana brasileira que ocupa 61% do território de Mato Grosso do Sul e que esconde em suas ‘contorcionasses’ uma incalculável riqueza vegetal.

A composição desse cenário em nada parece se conectar com a vida nas cidades em pleno ano de 2015, tempo marcado pelo domínio tecnológica e pela crescente urbanização do mundo e, particularmente, do Brasil, com mais e mais pessoas se instalando nas cidades. De acordo com o censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população urbana do país já alcança 85% e, segundo estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), deve superar os 90% em 2020.

Apesar de todo o aparente contraste e do avanço exponencial dos produtos da grande indústria globalizada, ganham cada vez mais força e espaço tendências e movimentos de aproveitamento sustentável da riqueza desses ambientes e de geração de renda a partir do campo. Se o Brasil é um país cada vez mais urbano, também não faltam iniciativas que buscam o desenvolvimento territorial apostando na valorização das comunidades locais e da cultura regional, buscando fixar o homem no campo e conservar o meio ambiente.

Desde antes de se graduar, em 2001, a química Valéria de Oliveira Dias, hoje aos 39 anos, sonhava em aproveitar a riqueza do principal bioma sul-mato-grossense ao unir a sustentabilidade à inovação tecnológica para beneficiar uma ampla cadeia de valor, das comunidades do interior ao consumidor final na cidade. Depois de pós-graduada em cosmetologia, inaugurou em 2011 a Morena Flora, indústria cosmética de base tecnológica cujos produtos resultam de pesquisas com frutos do cerrado como bocaiuva, pequi e erva-mate.

Instalada dentro da incubadora de empresas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a pequena empresa já emprega oito pessoas e obtém sua matéria-prima de cooperativas de agricultores familiares dos municípios de Miranda e Corumbá. O resultado dos frutos coletados na natureza são produtos como shampoo, condicionador, reconstrutor e máscara capilar, além de óleo de bocaiuva, queratina com óleo de pequi, creme de massagem e óleo corporal erva-mate.

“Desde que começamos nosso trabalho, temos a satisfação de obter resultados fantásticos com óleos orgânicos ricos em ômega 3, 6 e 9, que proporcionam uma reposição lipídica, maciez e brilho aos cabelos”, explica Valéria. Atualmente, o negócio já distribui seus produtos a cerca de 30 salões de beleza em Campo Grande, que também os repassam aos clientes finais.

O propósito da pesquisadora e empresária, que agora estuda as possibilidades de frutos como a guavira e o cumbaru, é deixar a incubadora da UFMS o quanto antes para instalar-se num dos polos industriais da capital e aumentar a geração de empregos e o fornecimento para um número maior de municípios. Dessa forma, ela não tem dúvidas de que estará beneficiando em escala ainda maior as comunidades que obtém renda de pequenos negócios como a 

Morena Flora, valorizando a cultura regional e propiciando a conservação ambiental.

Compre do Pequeno

Além de contribuir para a construção do conhecimento científico sobre um dos mais importantes biomas brasileiros, Valéria acredita que a transformação desse saber em produtos para o uso cotidiano engloba outros inúmeros benefícios. “A tendência das pessoas consumirem mais produtos locais, fabricados a partir de matérias-primas que todos nós conhecemos, contribui para fixar o homem no campo e estimula o desenvolvimento territorial. É uma cadeia produtiva inteiramente benéfica à sustentabilidade”, ressalta a empresária.

E essa mesma sustentabilidade (ecológico, social e econômica) está presente no Movimento Compre do Pequeno Negócio, iniciativa do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) celebrada hoje, 5 de outubro, Dia da Micro e Pequena Empresa. O objetivo do movimento é estimular a comunidade a consumir seus produtos de micro e pequenos empreendimentos, chamando a atenção para a importância deles para a economia local. Se 

você também é um pequeno comerciante, ainda está em tempo de acessar 

www.compredopequeno.com.br e participar da campanha.

Morena Flora

Av. Costa e Silva 1920, Portão 13, Campus UFMS l – Campo Grande/MS

Telefone: (67) 3345-7519

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