A corrupção sistematizada na prefeitura de Sidrolândia – distante 70 km de Campo Grande – era feita de forma constante para beneficiar o grupo de Claudinho Serra (PSDB) – ex-secretário de Fazenda do município e genro de Vanda Camilo (PP) -. Delação do ex-chefe de compras do município, Tiago Basso da Silva, aponta que Claudinho e um sobrinho de Vanda utilizaram até mesmo uma caminhonete locada – e abastecida – com recursos públicos.

Conforme depoimento especial prestado por Tiago ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o município firmou contrato com a empresa Rental Car par fornecer veículos.

Assim, o delator revela que eram locados uma TrailBlazer para a prefeita Vanda Camilo, uma caminhonete Amarok para o secretário de Fazenda (Claudinho Serra na época), outra Amarok para o secretário de saúde e outra caminhonete para a secretaria de educação, que ficavam de posse com os secretários. Pela locação, o município pagava R$ 9,8 mil mensal por cada caminhonete.

“A Amarok da secretaria de Fazenda era utilizada pelo próprio Cláudio e pelo Felipe, sobrinho da Vanda. Ele várias vezes pedia pra mim: ‘enche o tanque da caminhonete que amanhã vou para a fazenda'”, afirmou aos promotores.

Ainda segundo o delator, a caminhonete era abastecida também com recursos públicos para “levarem coisas particulares para a fazenda do Cláudio [Serra]”, pontua, completando que trata-se da Fazenda Divisa, que fica entre Aquidauana e Dois Irmãos do Buriti.

“Esse Felipe [sobrinho da Vanda] ia uma, duas vezes por semana para a fazenda. Até um dia fui abastecer a caminhonete e ela estava carregada com cochos de tambor [para armazenar água para gado beber] e levavam para a fazenda. Usava muito para coisas particulares. Muito pouco era usada [para uso em serviço como secretário]”, reforçou.

Dinheiro público bancou Iphone e tenda para festas na casa de Vanda

Tiago Basso da Silva, revelou que ela teria instalado tendas em sua residência para fazer confraternizações de jogos do Brasil na Copa do Mundo e também para comemorar resultado das eleições de 2022.

Conforme depoimento especial prestado a promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Tiago revelou que a locação das tendas foram pagas em notas empenhadas como ‘compra de materiais de construção’, no valor de R$ 8 mil.

O esquema revelado pelo delator evidencia o uso continuado de recursos públicos para benefícios pessoais, principalmente por parte de Claudinho Serra e sua sogra, a prefeita Vanda Camilo.

Em outro momento, Tiago revelou que Vanda utilizou de recursos públicos para comprar um Iphone 14 e contratar serviços de manutenção de ar-condicionado para os aparelhos particulares, na residência da prefeita.

Todas as informações serão apuradas pelo Gaeco. As referentes à Vanda, que tem foro privilegiado por ser prefeita, depende de autorização do PGJ (Procurador-Geral de Justiça), Romão Avila Milhan Junior.

Prefeita de Sidrolândia, Vanda Camilo (PP) orando (Reprodução redes sociais)

Conforme documento a que a reportagem do Jornal Midiamax teve acesso, o delator afirmou aos promotores que a prefeita teria adquirido de forma fraudulenta um celular iPhone 14 e feito manutenção de aparelhos de ar-condicionado da própria residência com desvio de recursos públicos.

Vanda e Claudinho negam acusações

O advogado de defesa de Claudinho Serra, Tiago Bunning, encaminhou nota sobre as acusações. Segundo ele, “o delator joga palavras ao vento, faz acusações e não apresenta qualquer prova do que diz”.

Além disso, aponta que o depoimento enquanto preso descredibiliza as denúncias. “Suas declarações foram colhidas durante o período em que estava preso, sendo solto logo após delatar. Esse contexto retira toda a credibilidade das informações trazidas na delação”, afirmou o advogado de Claudinho.

Em nota, a prefeita de Sidrolândia negou as acusações feitas por Tiago na delação. Confira a nota na integra:

“É com tranquilidade e firmeza que venho reafirmar minha inocência em relação às acusações apresentadas na delação premiada recentemente divulgada. As declarações contidas na delação apontam para atos praticados por servidores, que estão sendo investigados pela justiça.

Não tolero e nunca tolerei qualquer ato de corrupção em minha gestão, e assim que tomei conhecimento dos fatos, agi de forma imediata e enérgica. Todos os servidores envolvidos foram exonerados ou afastados, seguindo rigorosamente os trâmites legais.

Ao longo de mais de 37 anos como servidora pública, atuei em diversos cargos de direção, chefia e coordenação na administração. Minha conduta sempre foi pautada pela integridade, agindo com honestidade, ética e transparência em todas as áreas de atuação, seja no trato com os recursos públicos, ou na tomada de decisões.

Nunca me envolvi em atividades ilícitas ou antiéticas, e nunca respondi a nenhum processo, pois sempre segui a legalidade e os princípios que regem a administração pública. A integridade é um compromisso que carrego com orgulho e que sempre guiou minhas ações como servidora pública.

Confio plenamente na justiça e espero que os fatos sejam esclarecido e os envolvidos respondam nos rigores da lei.

É evidente que as declarações têm motivações políticas, pois parte de quem é de família com interesses políticos na cidade a anos. Esta é uma clara tentativa de tentar denegrir a imagem do governo, especialmente devido à proximidade das eleições.

Reitero meu compromisso com a transparência, a legalidade e o bem-estar da população, e continuarei trabalhando incansavelmente em prol do desenvolvimento de nossa cidade”.