Política / Transparência

Justiça Estadual ouve filho de Reinaldo e testemunhas em ações por suposto roubo de propina

Rodrigo Souza e Silva compareceu às oitivas, realizadas na tarde de hoje (30), por videoconferência

Jones Mário Publicado em 30/06/2021, às 17h51

Sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul no Parque dos Poderes, em Campo Grande
Sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul no Parque dos Poderes, em Campo Grande - Divulgação/TJMS

O juízo da 4ª Vara Criminal de Campo Grande realizou hoje (30) uma audiência para ouvir testemunhas em duas ações penais que apuram suposta tentativa de roubo de propina. O filho do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), Rodrigo Souza e Silva, é réu em um dos processos.

A reportagem apurou que o advogado esteve presente na audiência, realizada por videoconferência. As oitivas estavam marcadas para começar às 13h30. Até o meio da tarde, Rodrigo ainda não havia sido ouvido.

Entre as testemunhas convocadas para depor hoje estavam dois policiais militares arrolados pelo MPMS (Ministério Público Estadual) - autor das denúncias por roubo majorado. Rodrigo é réu isolado em uma das ações penais. Os dois processos tramitam em segredo de Justiça.

A denúncia do MPMS contra o advogado, que chegou a ser rejeitada em um primeiro momento, aponta sua participação na tentativa de roubo de propina, bem como nos planos para a execução do corretor de gado José Ricardo Guitti Guimaro, o “Polaco”. Presos, os envolvidos no roubo e assassinato frustrados delataram o filho do governador como mandante dos crimes.

A motivação, segundo investigações no âmbito da Operação Vostok, da Polícia Federal, seria porque Polaco estaria pedindo mais dinheiro para manter o silêncio sobre o que sabia do esquema de pagamento de propina a Reinaldo Azambuja pela JBS. O arranjo não deu certo, porque o corretor de gado desconfiou dos planos e mandou outra pessoa receber o dinheiro em seu lugar.

Reinaldo, Rodrigo, Polaco e mais 21 pessoas estão entre os denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal) ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia, que cita o orquestramento do roubo, aponta que o governador tucano recebeu R$ 67,7 milhões em vantagens ilícitas. Em troca, concedeu benefícios fiscais que desfalcaram os cofres estaduais em R$ 209,7 milhões.

Jornal Midiamax