Política / Transparência

Juízes federais de MS e SP falam em risco à democracia e repudiam manifestações por ‘voto impresso’

Magistrados defendem sistema eleitoral atual, atacado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores

Jones Mário Publicado em 29/07/2021, às 18h49

Sede da Justiça Federal em Mato Grosso do Sul
Sede da Justiça Federal em Mato Grosso do Sul - Divulgação/CNJ

A Ajufesp (Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul) emitiu nota de repúdio, hoje (29), contra as manifestações favoráveis ao chamado “voto impresso”. Segunda a entidade, as suspeitas levantadas sobre o sistema eleitoral brasileiro são infundadas e ameaçam a democracia.

“Em 25 anos de eleições com urnas eletrônicas no País não houve sequer uma contestação acerca da validade dos resultados e confiança no sistema”, argumentou a associação, que reúne magistrados do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).

Ainda conforme a nota, as ameaças de não aceitar o resultado das eleições “desestabilizam as instituições e põem em risco a democracia”. Veja na íntegra:

A entidade se refere às recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de seus apoiadores, bem como do ministro da Defesa, general Braga Netto, que põem em xeque a efetividade e a lisura das urnas eletrônicas.

Segundo publicou o Estadão na semana passada, Netto teria dito a interlocutores que sem voto “auditável” não seriam realizadas eleições em 2022. A declaração foi condenada por grande parte do Congresso Nacional.

Antes disso, presidentes de 11 partidos se uniram para defender o modelo atual. A coalizão freou as discussões sobre o chamado voto impresso na Câmara dos Deputados.

O projeto em debate exige a adoção de um tipo de urna eletrônica que permita a impressão do registro do voto, sob o pretexto de que o modelo atual não permite auditorias ou conferências.

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Luís Roberto Barroso tem dado declarações no sentido de que o atual sistema é seguro, transparente e auditável. O ministro chegou a ser chamado de “idiota” e “imbecil” por Bolsonaro.

Jornal Midiamax