Política / Transparência

Justiça Federal de MS quer ouvir Battisti por tentar fugir com dólares e euros pela Bolívia

A Justiça Federal de Mato Grosso do Sul tenta encontrar um meio para ouvir o ex-ativista italiano Cesare Battisti, extraditado em janeiro deste ano, em processo em que é acusado de ter cometido crime contra o sistema financeiro nacional. Ele tentou deixar o Brasil em 2017 com cerca de 6 mil dólares e 1.300 euros […]

Evelin Cáceres Publicado em 07/02/2019, às 08h34 - Atualizado às 11h53

Battisti na Itália, logo após chegar em voo que partiu da Bolívia em janeiro deste ano
Battisti na Itália, logo após chegar em voo que partiu da Bolívia em janeiro deste ano - Battisti na Itália, logo após chegar em voo que partiu da Bolívia em janeiro deste ano

A Justiça Federal de Mato Grosso do Sul tenta encontrar um meio para ouvir o ex-ativista italiano Cesare Battisti, extraditado em janeiro deste ano, em processo em que é acusado de ter cometido crime contra o sistema financeiro nacional. Ele tentou deixar o Brasil em 2017 com cerca de 6 mil dólares e 1.300 euros não declarados.

Em despacho no Diário Oficial do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) desta quinta-feira (7) da ação penal movida contra o italiano, a Justiça manteve as oitivas de duas testemunhas de São Paulo e de Corumbá, comunicando que ‘oportunamente será verificado o meio mais célere para realização do interrogatório de Cesare Batisti’.

Batistti foi condenado à prisão perpétua na Itália acusado de cometer quatro assassinatos nos anos 1970. Ele nega os crimes e se diz vítima de perseguição política. O italiano chegou ao Brasil em 2004, onde foi preso três anos depois. O governo italiano solicitou a extradição de Cesare Battisti, aceita pelo STF (Supremo Tribunal Federal). No último dia de seu mandato, em dezembro de 2010, contudo, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que o italiano poderia ficar no Brasil e o ato foi confirmado pelo Supremo.

Seis meses depois, Battisti foi solto da Penitenciária da Papuda, em Brasília, em 9 de junho 2011. Ele voltou a ser preso em outubro de 2017 na cidade de Corumbá, perto da fronteira do Brasil com a Bolívia pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) tentando fugir do país com mais de 1,3 mil euros e 6 mil dólares. 

Dias depois, o italiano conseguiu um habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3ª região. Na decisão, o desembargador José Lunardelli disse que não havia elemento mínimo que indique a prática do crime de lavagem de capitais. Além disso, o magistrado também relatou que Battisti era imigrante com visto de permanência definitiva no Brasil.

No entanto, a justiça italiana voltou a pedir a extradição de Battisti, acatada pelo presidente Michel Temer em dezembro de 2018, quando assinou o decreto pedindo a saída do mesmo do país. Battisti foi encontrado em 12 de janeiro em Santa Cruz de La Sierra e levado para a Itália no dia seguinte.

Jornal Midiamax