Política / Transparência

Prorrogada investigação sobre cantinas em presídios que se arrasta há 6 anos

Duas operações do Gaeco foram deflagradas neste ano

Evelin Cáceres Publicado em 15/08/2017, às 14h21

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Duas operações do Gaeco foram deflagradas neste ano

O inquérito civil 2/2011, da 50ª Promotoria de Justiça da Execução Penal da comarca de Campo Grande, foi prorrogado mais uma vez nesta terça-feira (15) após aval do Conselho Superior do MPE-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul).

A investigação, que acontece há seis anos e neste meio tempo registrou até ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) nos presídios, consiste em cobrar a efetivação do procedimento licitatório tendente a regularizar o funcionamento das cantinas instaladas nos estabelecimentos penais de Campo Grande, de acordo com um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) já firmado entre o órgão e a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).  

De acordo com o conselheiro relator, procurador de Justiça Antonio Siufi Neto, o processo é volumoso e precisará de mais tempo para ser finalizado por necessidade de realização de novas diligências. “O próprio Gaeco desvendou alguns ilícitos ocorridos na efetivação desses procedimentos licitatórios das cantinas”, observou.

Denúncia de tráfico

O Jornal Midiamaxdenunciou  o suposto esquema de corrupção e tráfico de drogas envolvendo servidores e integrantes de facções criminosas no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, o Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande.Prorrogada investigação sobre cantinas em presídios que se arrasta há 6 anos

Através de nota, a assessoria de imprensa da agência afirmou que instaurou procedimento para apurar “a informação, não comprovada” e usou o referido TAC com o Ministério Público para afirmar que os produtos vendidos são previamente definidos a partir deste instrumento.

Conforme a denúncia feita pelo Jornal Midiamax, a droga entra no presídio escondida nos produtos enviados para a cantina, como caixas de leite e fardos de bolachas.

Todo o esquema teria aval da diretoria da unidade, que receberia propina de presos ligados a facções criminosas. Se uma compra feita pela unidade custasse R$ 100 mil, os internos responsáveis pelo esquema pagavam R$ 140 mil pelos produtos e repassavam o valor aos presos, tanto na venda da droga quanto nos produtos da cantina.

Um quilo de maconha, que custaria cerca de R$ 450 nas ruas da Capital, chegariam no presídio com valor inflacionado de R$ 800 a R$ 1 mil. O esquema geraria um lucro de R$ 700 mil mensais, já que por dia os presos de menos poder aquisitivo chegariam a consumir R$ 12 da droga, o equivalente a duas gramas de maconha.

Operação Xadrez e Chip

Em janeiro, o Gaeco deflagrou a Operação Xadrez cumprindo mandados na Capital e em Dourados e Aquidauana. Na operação, um cofre na teria sido aberto.

A operação investigava a ‘facilitação da vida’ de presos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) permitindo a entrada de drogas nas unidades. Em troca recebiam dinheiro da facção.

O Estabelecimento penal de Corumbá também foi alvo da operação, onde foram cumpridos mandados dentro e fora do presídio. Ao todo foram 12 buscas e apreensões, nove mandados de prisão e uma condução coercitiva.

Em junho, a Operação Chip em Campo prendeu um agente penitenciário. Foram cumpridos 8 mandados em Campo Grande, sendo 3 de prisão temporária e 5 de busca e apreensão.

A Operação Chip apurou crimes corrupção, peculato, tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Jornal Midiamax