Política / Transparência

Empresa denuncia ‘calote’ e MPF apura suspeita de desvio de verba na prefeitura

'Não aguenta vender fiado, não entra em licitação'

Joaquim Padilha Publicado em 01/12/2016, às 14h25

None
mpf-ms.jpg

'Não aguenta vender fiado, não entra em licitação'

Uma denúncia feita por um proprietário de uma empresa fornecedora de alimentos levou a Prefeitura de Paranaíba, município a 407 quilômetros ao leste de Campo Grande, a ser investigada pelo MPF (Ministério Público Federal).

De acordo com o proprietário da empresa G.A. Moris Filho, a fornecedora teria vencido uma licitação feita em janeiro deste ano pela Prefeitura de Paranaíba, para entrega de alguns itens da merenda escolar da rede municipal de ensino local.

Desde março, a empresa teria fornecido os alimentos para a Prefeitura, sem receber pelos serviços. Passado um prazo de 90 dias, o proprietário da fornecedora resolveu procurar os responsáveis pelo pagamento dos alimentos.

Ainda de acordo com a denúncia, o proprietário teria ouvido de funcionários da Secretaria Municipal de Fazenda que "se não aguentasse vender fiado, que não precisava participar de mais nenhuma licitação do município".

A denúncia foi parar na Procuradoria da República pois, de acordo com o denunciante, a Prefeitura de Paranaíba estaria recebendo regularmente do Governo Federal os repasses do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).

A suspeita é de que os recursos estejam sofrendo de malversação, uma vez que o contrato com a G.A. Moris Filho continua vigente, mas os produtos que a empresa parou de fornecer passaram a ser entregues por outras empresas, sem licitação.

Como a verba é federal, a atuação da investigação se dá no âmbito federal. O procurador da República no Mato Grosso do Sul, Davi Marcucci Pracucho, despachou no dia 17 de novembro que seja instaurado um procedimento preparatório para apurar o caso.

A Prefeitura de Paranaíba foi oficiada para encaminhar cópia integral do pregão presencial vencido pela G.A. Moris Filho e dos contratos celebrados, bem como os documentos fiscais que comprovem o recebimento dos alimentos fornecidos.

(sob supervisão de Evelin Araujo)

Jornal Midiamax