Política / Transparência

Não deu conta: empreiteiro e cúpula de Puccinelli armaram para assumir Aquário

Amorim manteve conversas com Osmar, Giroto e procurador da Agesul  

Evelin Cáceres Publicado em 07/08/2015, às 12h39

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Amorim manteve conversas com Osmar, Giroto e procurador da Agesul

O empreiteiro João Alberto Krampe Amorim dos Santos utilizou todos os recursos que podia para pressionar o empresário Egídio Vilani Comin, presidente da Egelte Engenharia, para entrar na obra do Aquário do Pantanal, segundo o trabalho de investigação da Polícia Federal. Apesar das diversas manobras, a suspeita era de que Amorim não tinha a intenção de finalizar a obra o mais rápido possível, já que colocou apenas 35 pedreiros no canteiro. 

Chamado de “dificilzinho”, “enrolado” e “malandro” nos diálogos entre Amorim e Edson Giroto, que na gestão de André Puccinelli foi gestor das obras do Aquário, Egídio teria até parado de atender as ligações do grupo após ser pressionado por dias seguidos. Depois de finalmente “ceder”, a Egelte perdeu o controle sobre o canteiro do Aquário e anunciou nesta semana, após o escândalo vir à tona, que não continuará a obra. 

Por telefone, Amorim conversa com dezenas de políticos, tomando poucos cuidados ao revelar seu poder e influência sobre eles. Entre os contatos telefônicos do empreiteiro estão Osmar Jeronymo (ex-chefe de gabinete de André Puccinelli e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado), que o mantém informado sobre o andamento da documentação para que ele assuma a obra.

Outro contato do empresário é o procurador jurídico da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), Edmir Fonseca Rodrigues. Com ele, Amorim combina como serão feitos os contratos com o Estado, por meio da subempreitada e aditivos juntos e até sugere a rescisão do contrato com a Egelte, explicando para Amorim que poderia justificar que “quanto mais tempo passar, mais cara ficaria a obra”. Tudo para facilitar a entrada o empreiteiro no Aquário.

Nos diálogos entre o empresário e o procurador, fica evidente a influência de Amorim até no setor jurídico do governo:

– O que que você manda?, diz Edmir.

– Eu não mando nada, eu peço. Edmir é o seguinte: esse contrato da Egelte é importante eu acho, a gente fazer tudo simultâneo viu Edmir! Alô?

 – To ouvindo! O que que ocorre: uma coisa depende da outra, talvez a assinatura do documento não dá para ser assim concomitante, entendeu?

Querendo monopolizar a obra, mas sem ser flagrado em nenhuma irregularidade, Amorim forçou entre fevereiro e março de 2014 toda a cúpula de poder do Estado para entrar na obra, mas com a documentação regularizada.

Habituada a fazer contratos com subempreiteiras para repassar as obras que ganhou nas diversas licitações milionárias para manutenção de estradas, a Proteco Construções Ltda. pretendia ser a subempreiteira da Egelte e, assim, embolsar os lucros com a obra do Aquário.

Com o ex-assessor especial do Ministério dos Transportes, Amorim reclama de Egídio e Giroto repassa como ficará o contrato de subempreiteira.

– Mas assim, to conversando com você, a gente tem que ter calma na cabeça, não adianta, mas é que nós precisamos entrar lá pra ir se organizando, sem avançar em nada, os papéis ainda não saíram, né?, questiona Amorim.

– Não. Parece que empenha hoje e publica sexta-feira à noite. Falei ontem a noite com ele (Edmir), eu cheguei e fui para a secretaria, falei com ele era umas nove e meia da noite, liguei para ele. , diz Giroto.

As gravações também sugerem que Egídio e Amorim, no fim das contas, se acertam e geram notas de empenho simultâneas, combinando como enviar os pagamentos combinados para a Agesul.

O esquema só foi descoberto no início deste ano, após a Proteco Construções Ltda. deixar de pagar os funcionários em dezembro do ano passado. Após a Operação Lama Asfáltica, deflagrada no último dia 9 de julho, o governo afastou a Proteco das obras do Aquário.

A obra, que se arrasta há mais de dois anos, ainda não foi concluída. Os 35 pedreiros que tocavam a obra e que foram trazidos do Nordeste por João Amorim disseram que somente eles, funcionários da Fluidra e da Sul Metal tocavam a obra. Ao todo, menos de cem pessoas.

 A equipe de reportagem entrou em contato com Egídio por telefone, mas foi atendida pela sua secretária. Ela informou que o empreiteiro está em reunião fora de Campo Grande e que retornaria o contato, o que não foi feito até o fechamento desta matéria. Ao governo, Egídio informou que não continuará com a obra, já que foi afastado pelo grupo de Puccinelli. 

Jornal Midiamax