Política / Transparência

Doadora de campanha, gráfica é investigada em duas operações da PF

Gráfica doou para Giroto concorrer à Prefeitura

Evelin Cáceres Publicado em 10/08/2015, às 11h30

None
giroto.jpg

Gráfica doou para Giroto concorrer à Prefeitura

A Gráfica Jafar Ltda., também conhecida como Gráfica Alvorada, do empresário Mirched Jafar Júnior, é investigada pela PF (Polícia Federal) na Operação Lama Asfáltica como suspeita no esquema de pagamento de propina  com o grupo de João Amorim, da Proteco Construções Ltda., durante a gestão de André Puccinelli e também já foi alvo da PF em 2007, durante a Operação Vintém.

Doadora de campanha, a empresa de Mirched repassou em 2010 R$ 15 mil ao candidato a deputado federal Roberto Hashioka (PMDB) e em 2012, R$ 5,2 mil ao candidato a prefeito de Corumbá Paulo Duarte (PT). Em 2014, doou R$ 36 mil a 15 candidatos a deputados estaduais.

Também em 2012, a Gráfica Alvorada doou R$ 109 mil ao candidato a prefeito Edson Giroto (PMDB). A maior doação de campanha foi feita ao candidato peemedebista, com quem Jafar aparece conversando em ligações gravadas pela PF durante a Operação Vintém.

Na época, eles foram apontados pela PF como parte de uma operação para montar um falso flagrante de compra de votos para Semy Ferraz. Entre os gravados estão André Puccinelli Júnior, Edson Giroto, Mirched Jafar e Edmilson Rosa, conhecido por Rosinha.

“Alvorecer”

A gestão de Puccinelli manteve contratos milionários com a Gráfica Alvorada. Em 2011, Puccinelli comprou na gráfica 102 mil exemplares do livro “Tosco”, ao custo de R$ 3,6 milhões. Em outra ocasião, gastou R$ 870 mil sem licitação para comprar livros didáticos. Em 2013, foram dois contratos de R$ 2,2 milhões e de R$ 2,9 milhões para compra de livros.

No fim da gestão de Puccinelli, exatamente no dia 31 de dezembro, foram pagos R$ 13 milhões para a gráfica, por “serviços gráficos prestados”.

Durante a Operação Lama Asfáltica, o juiz federal Dalton Igor Kita Conrado ressaltou que Puccinelli foi citado por duas interceptações onde o secretário adjunto da Fazenda, André Luiz Cance, falava sobre a “alvorada e alvorecer”, que seria,segundo a Polícia Federal, referente a contrato com a Gráfica Alvorada, firmado no final da gestão dele.

Apesar das viagens no avião de Amorim e das doações de campanha, ainda não foi autorizada a prisão, nem a apreensão de documentos na residência do ex-governador.  “Os indícios não são suficientes para busca e apreensão”, alegou o juiz.

No inquérito, o governador é citado como cauteloso por ter evitado contato com João Amorim, embora, segundo a polícia, tenham sido obtidos elementos que, ao ver deles, demonstram que ele recebeu propina da Gráfica Alvorada, em situação envolvendo a Organização Criminosa de João Amorim.

No relatório, o delegado diz que provas na investigação demonstram que Amorim comanda a organização criminosa especializada em direcionar licitação, desviar dinheiro público e pagar propina a servidor público, contando com a participação de outros servidores, do ex-governador, de Edson Giroto e até do ex-prefeito Nelsinho Trad (PMDB).

Jornal Midiamax