Moradores suspeitam que córrego foi desviado para amenizar suposto erro de empreiteira

Diferença no nível de avenida causa alagamentos desde inauguração da obra milionária, em 2011, e vizinhos suspeitam de manutenção que removeu terra e entulho para dentro de parque onde existe ninhal de araras e córrego.
| 28/08/2014
- 17:25
Moradores suspeitam que córrego foi desviado para amenizar suposto erro de empreiteira

Diferença no nível de avenida causa alagamentos desde inauguração da obra milionária, em 2011, e vizinhos suspeitam de manutenção que removeu terra e entulho para dentro de parque onde existe ninhal de araras e córrego.

Moradores reclamam de suposto erro nas obras da Avenida José Barbosa Rodrigues, construída durante a gestão do ex-prefeito Nelson Trad Filho (PMDB), e suspeitam que até o leito de um córrego tenha disso desviado para amenizar o problema causado com alagamentos desde a inauguração da obra milionária, em 2011.

A avenida contorna o Parque Imbirussu, na região oeste de Campo Grande, e margeia o córrego de mesmo nome. No trecho entre o Jardim Zé Pereira e o Bosque das Araras, uma curva visivelmente rebaixada com relação à altura do terreno se tornou ponto de acúmulo de água nas chuvas e de alagamento.

Segundo os moradores, além do nível do asfalto, teria faltado obra de captação das águas pluviais nas ruas sem asfalto do bairro ao lado, que depositam lama na pista, piorando a situação.

Eles revelam que recentemente máquinas e operários, supostamente da Prefeitura, teriam removido o excesso de terra da avenida para dentro do parque, cobrindo a vegetação original e alterando até o curso do córrego.

A Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) nega. Segundo o órgão, os próprios moradores da região é que teriam tentado, utilizando máquinas, corrigir um assoreamento já existente no Córrego Imbirussu e teriam acabado ‘piorando a situação ao modificar o curso do rio’.

Moradores do local afetado, no entanto, não confirmam a informação e acham estranho que vizinhos tivessem se organizado com máquinas sem que eles ficassem sabendo. Eles temem que a remoção da terra possa causar danos ambientais ao córrego e ao ninhal de araras que fica na área.

De acordo com o vigilante Evanilton Oliveira, de 43 anos, que mora perto do parque, há 40 dias máquinas realizaram o trabalho no córrego. “Taparam a vala que tinha sido aberta. Toda vez que chovia a água chegava até às calçadas das nossas casas”.

De acordo com o ambientalista Haroldo Borralho, para se fazer qualquer obra que envolva o meio ambiente é preciso um estudo prévio de impacto ambiental. “Sem um estudo específico há vários riscos como enxugamento e assoreamento do rio. É preciso saber se há esse planejamento”, acentua.

A Semadur nega que tenha havido um erro na obra, mas admite que não há um estudo prévio. “Não houve erro da . Ocorreu um assoreamento natural, em virtude da baixa velocidade do rio. Por isso, alguns moradores tentaram consertar, porém pioraram a situação”, diz um diretor da secretaria.

Segundo declarações na época da inauguração do então prefeito Nelsinho Trad, a obra durou sete anos e teve recursos de mais de R$ 120 milhões, para o complexo Imbirussu-Serradinho, com investimentos da Prefeitura de Campo Grande, Fonplata, PAC, Fundeb e HBB, Águas Guariroba e Programa Reluz.

Quanto à falta de estudo ambiental para a remoção do material depositado praticamente dentro do ninhal de araras, a Semadur informa que agiu como medida de emergência. “Tivemos que fazer algo rápido, contudo, agora o estudo definitivo está sendo feito”, frisa o servidor, que prefere não se identificar.

Segundo o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) pelo número 3318-6048 os moradores podem fazer denúncias contra crimes ambientais. Quanto ao caso específico do Parque Imbirussu, de acordo com o Imasul, ainda é preciso ir ao local e avaliar se houve alguma irregularidade.

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