Política / Transparência

Promotor da infância e juventude pretende acionar Justiça por show de David Guetta

O promotor da Infância e Juventude Sérgio Harfouche informou nesta segunda-feira (19) ao Midiamax que pretende denunciar à justiça, a organização do show do DJ David Guetta, realizado na última sexta-feira (16) em Campo Grande, pelo descumprimento das determinações que foram acordadas anteriormente. De acordo com o promotor, os organizadores do evento cometeram infrações adminis...

Arquivo Publicado em 19/11/2012, às 17h54

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O promotor da Infância e Juventude Sérgio Harfouche informou nesta segunda-feira (19) ao Midiamax que pretende denunciar à justiça, a organização do show do DJ David Guetta, realizado na última sexta-feira (16) em Campo Grande, pelo descumprimento das determinações que foram acordadas anteriormente.

De acordo com o promotor, os organizadores do evento cometeram infrações administrativas, cíveis e criminais. “Parece que eles realmente já tinham a intenção de bular as normas. Em dois de outubro eles já começaram a encaminhar pedidos de alvarás e venderam ingressos orientando os adolescentes sobre como proceder para entrar no show. Não tomaram os devidos cuidados com relação à venda de bebidas alcoólicas e venderam ingressos muito superior ao informado a polícia.”.

Sobre isto, o promotor conta que os organizadores teriam informado que o evento receberia sete mil pessoas, porém, segundo a Polícia Militar, cerca de 24 mil pessoas estiveram presentes no local. “São três vezes mais que número informado. Isto desequilibra o efetivo policial deslocado. Havendo um problema maior, infelizmente os polícias não poderiam fazer nada, pois o efetivo acabou sendo insuficiente.

Sérgio Harfouche conta que encontrou com o advogado dos organizadores momentos antes do show e que teria advertido sobre a venda de bebidas a menores, “mas na hora do show não havia seguranças suficientes para controlar a venda.”.

Ele revela ainda que, por ter adolescentes no local, o evento deveria ser encerrado às 4h da manhã. “Ficou claro que os organizadores agiram de forma premeditada. Depois desse horário (4 horas) eu procurei o advogado e os organizadores, inclusive fui até o bangalô dos proprietários que mentiu sobre sua identidade para não me receber, chegando inclusive a agredir alguns policiais. Eu saí do local às 5h e ainda não tinha terminado. Alguns moradores da região disseram que a festa terminou por volta das 8h.”.

Apesar de todos os problemas encontrados Harfouche acredita que faltam oportunidades na criação de locais adequados a realização de shows e eventos. “Mas não é por isso que eles podem descumprir a lei com relação aos adolescentes. Que façam faz matines para os jovens até as 22h sem álcool e a partir deste horário para os adultos, sem a entrada de menores.”, comenta.

O promotor enviou ainda, ofícios aos hospitais de Campo Grande pedindo informações de adolescentes que possam ter dado entrada embriagados e por uso de drogas e deverá receber a partir de hoje, as informações relativas a estes casos.

Harfouche ressalta que, para não haver este tipo de situação basta que os organizadores de eventos cumpram a lei. “Eles não tinham intenção de cumprir o que foi determinado, agora eu quero que respondam por essas situações e cumpram a norma nos próximos eventos. Eles agiram com imprudência, agora vai depender da justiça se as denúncias irão pra frente.”

Ainda esta semana o promotor da Infância e Juventude deve encaminhar o material colhido para os promotores criminais para que a responsabilização pelo descumprimento seja feita a justiça.

Move Club

A assessoria jurídica da Move negou as acusações da Promotoria da Vara da Infância e Juventude de Campo Grande sobre falsidade ideológica, venda de bebidas alcoólicas para adolescentes e trabalho infantil nas dependências do show de David Güetta, na madrugada de hoje (17), no Jockey Club.

“Garanto que não houve vendas de bebidas alcoólicas, pois eu mesmo, orientado pelo promotor, conversei com os funcionários do bar. Ele (Harfouche) disse também que viu cinco jovens saírem do local em coma alcoólico, mas ele não é médico para dar o atestado e, se realmente eles beberam, podem ter sido outras pessoas que compraram, isso que precisa ser investigado”, afirmou o advogado da Move, Fábio de Melo Ferraz.

“Os menores estavam com a autorização dos pais, então não houve nenhuma irregularidade. Também não foram registrados incidentes. O MPE (Ministério Público Estadual) deveria incentivar a cultura e não tentar promover essas discussões. E se essas acusações se tornarem concretas é bom que a Promotoria tenha uma base forte, para que a situação não se reverta”, afirmou Fábio Ferraz.

Outro problema apontado pela Promotoria é que o show teria que acabar às 4h de sábado, mas ele foi estendido. O advogado explica que o fato realmente ocorreu, mas foi apenas para que evitasse confusão, já que o público estava interagindo com o DJ e que o termino imediato poderia causar tumulto. O show, de acordo com a Move, teria acabado às 4h30.

Jornal Midiamax