Política / Justiça

Patrimônio do dono da Delta é desbloqueado pela Justiça do Rio

Fernando Cavendish, dono da Delta e alvo de investigação da Polícia Federal, conseguiu no início do mês passado uma importante vitória na Justiça. O Tribunal Regional Federal do Rio autorizou a liberação dos bens do empresário. Na decisão, o desembargador Antônio Ivan Athié classificou como “precipitada” a autorização do sequestro de bens feita pela 7ª […]

Arquivo Publicado em 02/03/2014, às 13h37

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Fernando Cavendish, dono da Delta e alvo de investigação da Polícia Federal, conseguiu no início do mês passado uma importante vitória na Justiça. O Tribunal Regional Federal do Rio autorizou a liberação dos bens do empresário. Na decisão, o desembargador Antônio Ivan Athié classificou como “precipitada” a autorização do sequestro de bens feita pela 7ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio e afirmou que o fato de Cavendish “ser amigo, ou ter contato e proximidade com governadores” não significa que ele praticou ilegalidades.

De acordo com estimativa da PF, o patrimônio bloqueado de Cavendish se aproxima de R$ 330 milhões. O valor equivale aos recursos que a polícia acredita terem sido desviados de obras tocadas pela Delta e pagas com dinheiro público. Em outubro de 2013, quando a PF deflagrou a Operação Saqueador, o empresário foi impedido de usar carros, movimentar contas e negociar ativos. O bloqueio se estendeu à SCF, empresa que, segundo investigadores, foi montada para blindar seu patrimônio. A defesa de Cavendish não nega o desvio de recursos públicos, mas diz que ele não pode ser responsabilizado “por eventuais fatos praticados por outras pessoas”.

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

Em 21 de novembro, após 265 dias preso, Carlinhos Cachoeira, deixou a penitenciária da Papuda, em Brasília. No mesmo dia, o contraventor foi condenado pela 5ª Vara Criminal do Distrito Federal a uma pena de 5 anos de prisão por tráfico de influência e formação de quadrilha. Como a sentença é inferior a 8 anos, a juíza Ana Claudia Barreto decidiu soltar Cachoeira, que cumpriria a pena em regime semiaberto.

No dia seguinte, o Ministério Público Federal (MPF) de Goiás pediu nova prisão do bicheiro, com base em uma segunda denúncia contra ele e outras 16 pessoas, todos suspeitos de participar de uma intensificação de ações criminosas em Brasília. O pedido foi negado pela Justiça.

No dia 7 de dezembro, Cachoeira voltou a ser preso. O juiz Alderico Rocha Santos, da 11ª Vara Federal de Goiás, condenou o bicheiro a 39 anos, 8 meses e 10 dias de reclusão por diversos crimes relativos à Operação Monte Carlo e determinou sua prisão preventiva. A defesa recorreu e, quatro dias depois, o juiz federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) concedeu novo habeas-corpus e Cachoeira foi libertado.

Jornal Midiamax