Política / Justiça

Justiça manda soltar estuprador e provoca protesto de vítimas em Campo Grande

Vítima mostra que teve mão amarrada ao pé antes de ser arrastada para matagal onde sofreu violência sexual. Ela e outras quatro mulheres estão inconformadas com liberdade do agressor.

Arquivo Publicado em 29/08/2012, às 11h01

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Vítima mostra que teve mão amarrada ao pé antes de ser arrastada para matagal onde sofreu violência sexual. Ela e outras quatro mulheres estão inconformadas com liberdade do agressor.

Decisão do juiz de direito Márcio Alexandre Wust mandou colocar em liberdade Deocleber Aparecido da Silva, 41 anos, que ficou conhecido no meio policial como “Maníaco do Chácara das Mansões”. Ele foi apontado por vítimas como autor de ao menos cinco estupros e sete tentativas, inclusive em 2009 contra uma mulher de 68 anos.

O juiz se baseou no caso de uma mulher de 25 anos que foi atacada quando voltava do trabalho em uma motocicleta. As provas apresentadas como, por exemplo, lesões foram consideradas frágeis e insuficientes para incriminar o acusado. No caso dela, um tronco estava no meio do caminho e foi na desaceleração que o homem agiu rápido e a atacou. A vítima foi abordada e amarrada pelo pulso numa das pernas. Foi arrastada por aproximadamente 300 metros mata adentro, depois foi arremessada contra uma cerca e depois violentada sexualmente.

Em entrevista a uma equipe de reportagem do SBTMS, uma vítima que não quis se identificar para evitar ainda mais constrangimento, disse que sete meses depois da violência sofrida não consegue esquecer o fato. “Até hoje não consegui me recuperar desse trauma!”, diz.

A vítima relatou que quando foi abordada, o homem saiu de dentro do mato e se jogou em cima dela. Depois a dominou, a agrediu violentamente e depois praticou a violência já dentro da mata.

Um chacareiro da região afirma que mais de 15 mulheres relataram que sofreram abuso sexual do mesmo homem, porém 12 procuraram a polícia. Segundo ele, nem todas fizeram isso por medo, já que além do abuso sexual sofreram tortura psicológica durante o ato e também surras.

Deocleber foi apresentado em entrevista coletiva por duas delegadas de atendimento à mulher, em março desse ano. Na época, a delegada Rosely Molina afirmou que o acusado agia com extrema violência contra suas vítimas. Foi revelado também que por possível problema de ereção Deocleber chegava a ficar até uma hora em meia com cada uma delas.

A vítima está revoltada ao saber que Deocleber ganhou liberdade concedida pela Justiça. Quando foi preso e apresentado em coletiva à imprensa, o acusado contou que dava como desculpas para esposa ao sair de casa que iria caçar tatus. Na oportunidade, a polícia apresentou vestes que ele usava e foram reconhecidas por vítimas, cordas que serviam de mordaças, luvas e máscara que ele usava.

Pesa contra Deocleber ainda um estupro praticado contra uma mulher de 68 anos em 2009. Na época foi divulgado positivo de DNA do acusado com o material colhido na idosa.

Jornal Midiamax