Sandro Silva Barbosa surrou Joelson por este ter feito ‘ato obsceno’; religião do réu, que ficou um ano preso, não permitiria a existência do homossexualismo

Sandro Silva Barbosa, 35, que diz ser evangelizador, foi absolvido hoje, em julgamento que durou três horas, no Tribunal do Júri de Campo Grande. Ele estava preso desde o dia 15 de agosto do ano passado por ter espancado o travesti Joelson Garcia Rodrigues, 20, que teria feito “atos obscenos” ao réu.

Para o defensor público Luciano Montalli, que agiu em defesa de Barbosa, o réu já havia cumprido pena pelo crime, já que há um ano é mantido preso em cela.

O crime ocorreu no bairro Campo Alto – região do bairro Nova Lima, saída para Cuiabá. Garcia Rodrigues teria feito um “ato obsceno” e isso irritou Barbosa que, morava há apenas 15 dias em Campo Grande. Ele veio de Inhumas (GO), e sua atividade seria a de “evangelizador”.

Barbosa pegou um pedaço de madeira e surrou o rapaz até que o instrumento quebrasse. O travesti foi levado para o hospital com ferimentos pelo corpo. O evangelizador foi preso no mesmo dia.

O promotor de Justiça Renzo Siufi quis incriminar Barbosa por tentativa de homicídio qualificado. Ele quis, ainda, sustentar durante o julgamento que o réu praticara um ato racismo, comparando-o com o nazismo de Adolf Hitler, líder alemão, algoz dos judeus na década de 40.

Siufi pinçou um trecho de depoimento do evangelizador, que disse: “… [o travesti] pareceu-me uma pessoa não normal diante de mim”. Barbosa alegou ainda no depoimento que só não matou o rapaz por ter quebrado o pedaço de madeira. Por fim, disse que sua religião seria contra o homossexualismo.

O travesti não compareceu ao julgamento e o defensor o criticou por isso. “Como se vê ele parece-me que ele realmente não está preocupado com o que aconteceu”.