Política / Justiça

Se Justiça suspender cobrança de ingressos na Expogrande, Acrissul cancela shows

Informação é do presidente da entidade que organiza a feira agropecuária, Francisco Maia. MPF quer barrar cobrança porque evento foi bancado por verba pública

Arquivo Publicado em 24/03/2010, às 18h45

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Informação é do presidente da entidade que organiza a feira agropecuária, Francisco Maia. MPF quer barrar cobrança porque evento foi bancado por verba pública

Os shows da 72ª Expogrande poderão ser cancelados, caso o TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) acate a ação proposta pelo MPF (Ministério Público Federal), que pede para suspender a cobrança de ingressos para entrar no evento, informou o presidente da Acrissul, Francisco Maia. O MPF quer suspender a cobrança porque a exposição recebeu incentivo de R$ 1 milhão do Ministério dos Transportes.


Na segunda-feira, a Justiça Federal negou o pedido do MPF (Ministério Público Federal) de suspender a cobrança do ingresso, que varia de R$ 8 a R$ 16. No mesmo dia, a Procuradoria da República recorreu ao TRF-3, corte que ainda não se manifestou quanto à questão.


A ação, protocolada no TRF-3, afirma que o evento não devia ser cobrado porque o Ministério do Turismo, por meio de emendas parlamentares, doou R$ 1.010.000,00 à Acrissul (Associação dos Criadores de MS), entidade sem fins lucrativos e que promove a 72ª versão da feira. No sábado, a Justiça Federal em Campo Grande indeferiu o pedido. A verba federal paga, entre outros serviços, os shows apresentados na feira. O de Seu Jorge e sua banda, por exemplo, custou  R$ 80 mil; Luan cobrou R$ 80 mil e Djavu, R$ 70 mil.


De acordo com a assessoria de imprensa do MPF em Campo Grande, shows, que superam a casa dos R$ 600 mil, além de serviços como segurança, limpeza, sonorização, iluminação, locação de tendas, entre outros, figuram entre os ítens relacionados no Plano de Trabalho do Ministério do Turismo, e todos seriam custeados com dinheiro público.


Conforme a assessoria, o recurso público destinado à Acrissul, por se tratar de dinheiro público, não deveria ser empregado para a obtenção de lucro. Diz o comunicado do MPF que é “notória a abusividade no ato de cobrança de ingressos em um evento cultural no qual os cofres públicos federais, e, portanto a população, aportou mais de R$ 1 milhão. Nada mais despropositado”.


Agenda


Na relação das próximas atrações da Expogrande 2010 ainda restam seis shows: Camila Prates e Henrique (quarta-feira); Djavu e DJ Juninho Portugal (quinta-feira); Luan Santana (sexta-feira); Bruno e Marrone (sábado); e Marcos e Belutti (domingo).


Segundo o presidente da Acrissul, caso se decida pela não cobrança dos ingressos, haverá prejuízo e “transtorno para todos”. Ele afirma que o cancelamento dos shows seria com o intuito de garantir a segurança dos estandes e dos expositores.


“Só para o show do cantor Luan Santana espera-se um público de 60 mil pessoas. Milhares de ingressos já foram vendidos, e uma decisão judicial impensada, sem avaliar a situação social, numa amplitude racional, pode causar um grande transtorno para todos”, afirmou Chico Maia.


Sobre o dinheiro do governo federal, o presidente da Acrissul afirmou que ele é responsável por custear as despesas da exposição e que, só desta maneira, em contrapartida, é possível manter o preço dos ingressos acessível e possibilitar dois dias de portões com entrada franca.


 “Em qualquer feira agropecuária, mesmo subsidiada por patrocínios, o ingresso não custa menos que R$ 30,00”, afirma Chico Maia.

Jornal Midiamax