STF nega liminar de Trutis contra investigação por falso atentado, segundo revés em 8 dias

Presidente do STF Luiz Fux já havia rejeitado analisar outro pedido em caráter liminar de Trutis idêntico no fim do ano passado.
| 07/01/2021
- 21:24
STF nega liminar de Trutis contra investigação por falso atentado, segundo revés em 8 dias
Loester Trutis (Foto: Reprodução/Facebook) - Loester Trutis (Foto: Reprodução/Facebook)

No último dia de plantão, ontem (6), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, negou pedido em caráter liminar de Loester Trutis (PSL-MS). O deputado federal queria trancar as investigações contra ele sobre o suposto atentado a tiros, em fevereiro do ano passado.

A defesa de Trutis ingressou com dois habeas corpus idênticos durante o recesso judiciário, ainda em dezembro de 2020. Os pedidos acusavam agentes de produzir provas ilícitas. Além disso, pleiteavam, além do trancamento dos inquéritos na e no STF, também a suspensão destes enquanto os HCs não fossem julgados. Caso contrário, o parlamentar pediu o trancamento parcial, a fim de evitar indiciamentos por comunicação falsa de crime e dano.

Fux já havia despachado sobre o primeiro habeas corpus no dia 30 de dezembro, quando entendeu não haver urgência no pedido e determinou a devolução ao gabinete do ministro Dias Toffoli, relator dos recursos.

Ontem, o presidente do STF foi além e, “inexistindo probabilidade do direito alegado”, entendeu que o pedido no segundo habeas corpus “não comporta deferimento da liminar”. Então, Fux encaminhou o processo a Dias Toffoli.

Os recursos ao STF dão prosseguimento à nova linha adotada por Loester Trutis, de ataque ao trabalho investigativo da Polícia Federal. O deputado já havia disparado contra a instituição em novembro do ano passado, em pedido à ministra para ter acesso aos documentos da investigação contra ele.

Na ocasião, Trutis disse que o inquérito de 685 páginas era “frágil”. O parlamentar também sugeriu que os investigadores manobraram e direcionaram a apuração para forjar sua culpa e de seu ex-assessor, Ciro Nogueira Fidelis, que estaria com Trutis no momento do suposto ataque à tiros.

As investigações da Polícia Federal se voltaram contra o próprio parlamentar a partir de trabalhos periciais. Laudos balísticos, de exame de local e informações de georreferenciamento entraram em rota de colisão com o que alegava o deputado e seu assessor.

Antes de liminar, Trutis atacou Polícia Federal em pedido a ministra do STF

Assim, a PF concluiu que o atentado foi simulado por Trutis, de olho em dividendos políticos e eleitorais. O parlamentar é um entusiasta voraz da flexibilização do Estatuto do Desarmamento.

A polícia identificou que ele sequer foi seguido no dia do suposto ataque à tiros. Além disso, a descrição dada pelo deputado federal sobre o veículo supostamente envolvido no atentado atentado contra ele levou os investigadores a uma caminhonete “antiga e deteriorada, que certamente não teria condições mecânicas razoáveis para ser utilizada em um atentado em face de alguém que estava embarcado em um potente Toyota Corolla”, conforme descreve o inquérito.

Com base no trabalho da PF, a ministra Rosa Weber deferiu os pedidos para busca e apreensão contra Trutis, seu irmão, Alberto Carlos Gomes de Souza, Fidelis e Jovani Batista da Silva, ligado a um grupo chamado “Movimento Conservador de Mato Grosso do Sul”.

Para a magistrada do STF, as provas obtidas no âmbito da investigação podem implicar Loester Trutis nos crimes de de fogo de uso permitido, disparo de arma de fogo, dano e comunicação falsa de crime.

O deputado chegou a ser preso durante o cumprimento dos mandados, pois portava um fuzil de uso restrito.

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